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quarta-feira, setembro 07, 2005

 

Aqui a ôia é pesada


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É uma hemorragia de prazer atender novamente aos interesses do povão da rede mundial de computadores. Afinal, aqui a muáfa governa, e tudo que vira sensação na internet merece nosso carinho e atenção. Sendo assim, após termos destrinchado por completo o filme do Bátima Feira da Fruta, chegou a hora de chamar às vias de facto os bastidores do programa Sem Meias Palavras. Com matérias policiais que mais parecem esquetes de humor, o programa explodiu em popularidade e virou mania ganhando dezenas de comunidades no Orkut e mais de 3 mil visitantes diários no site.

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Matéria que fez história


Tudo na conta de duas figuras insanas. Um rapaz chamado Jeremias José ? autuado trincando de bêbado ? e o carismático repórter Givanildo Silveira. Numa entrevista bombástica concedida ao programa, Jeremias revelou ter bebido com o cão. Nada que intimidasse Givanildo, que seguiu na ofensiva e arrancou ainda mais barbaridades para o desvario da audiência. Transmitido apenas para o estado de Pernambuco, o programa ganhou notoriedade graças ao site, onde estão disponibilizadas as matérias de maior destaque. A molecada em Caruaru sentiu o drama e passou adiante o material, até que a entrevista com Jeremias José chegou no blog Kibeloco e de lá bombou geral.

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Equipe do programa reunida


A forte repercussão da matéria com o parceiro de boteco do demônio iluminou o caminho da fama, e a produção do programa emendou uma série de matérias no estilo na seqüência. Pintaram na tela do Sem Meias Palavras bêbados nos mais variados estados de embriaguez, mudos, gagos, gays, travestis, garotas de programa, boi, galinha, bode, cachorro e despombalizados em geral. Quase sempre dando um algo mais nas entrevistas, normalmente um tostão de voz entoando a canção predileta. Um poderoso mix de tosquêira que deixou a turma em polvorosa que formaram uma legião de admiradores. Atualmente, cerca de 30 matérias podem ser acessadas no site. E embora o programa tenha forte apelo policial - retratando explicitamente a violência que assola grande parte das cidades brasileiras - parece ter vocação para o humor, motivo pelo qual recebe grande parte de sua audiência.

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Edeilson Lins, o comandante


Apresentado por Edeilson Lins, com produção de Adelson Silva, trata-se de mais um dos tradicionais programas policiais de televisão, e vai ao ar de segunda à sexta-feira às 12h45, na TVI de Caruaru-PE, filiada do SBT. Dia 20 de dezembro completará um ano em sua segunda versão. Na primeira, o esquema era semelhante, e também com o comando de Edeilson Lins. Para contar todos detalhes de bastidores do Sem Meias Palavras, fomos atrás do camisa 10 do time, o repórter Givanildo Silveira. Após um dia inteiro de trabalho, ele confirmou a conexão Curitiba-Caruaru e gentilmente nos cedeu a entrevista que você lerá após um breve perfil em boleirês. E pra fechar, ainda rolam alguns dos melhores momentos do programa devidamente comentados pelo entrevistado. Mete bronca.

JORNALISTA DA GOTA SERENA



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Givanildo maroteando na ilha de edição


Givanildo Silveira não é jornalista formado. Mas é formado em jornalismo. Melhor, é curtido em reportagem. Basta averiguar o scout do malandro. No rádio, jogou nas onze. Adentrou ao gramado como gandula, suando a moleira na lida de office-boy da rádio Liberdade de Caruaru. Alçado a condição de recepcionista da rádio, foi pegando as bases da parte de operação na surdina, entre telefonemas e anotações de avisos de falecimento. Sempre almejando a equipe principal, aos poucos foi ganhando chances no segundo tempo, substituindo os colegas impossibilitados e integrando o plantão esportivo. E partiu pro díbre. Não demorou muito e teve a oportunidade de vestir a jaqueta titular pela primeira vez, comandando um programa de música aos domingos. E se adonou. Já são 12 anos suando a camisa do rádio sem esmorecer, atualmente trabalhando no programa de televisão e na rádio Jornal Caruaru. Aos 33 anos de idade, três filhos e dois casamentos, Givanildo está no auge da forma física, técnica, tática e psicológica. Sabe os atalhos do campo. É matreiro. Bate na bola igual craque: com nojo.

JdeM: Você pretende fazer a faculdade de jornalismo?
Givanildo: Eu comecei uma faculdade de Pedagogia, depois passei para Direito e acabei trocando por Ciências Sociais. Até que um dia, eu estava num cinema e arrumei uma garota. Deixei os estudos e depois ela me deixou. Resumindo, fiquei sem nada. Mas tenho interesse em fazer a faculdade de jornalismo. O dono da TVI é proprietário de uma faculdade aqui em Caruaru, e se alguém quiser me ajudar eu aceito, pois no momento não tenho condições de pagar uma faculdade.

JdeM: Após o começo no plantão esportivo, você teve programa de música e acabou na reportagem policial. Era onde queria chegar?
Givanildo: De jeito nenhum, eu tinha um medo arretado de delegacia. Não gostava nem um pouco do ambiente, polícia pra todo lado, sangue, entre outras coisas. Mas é aquela coisa, tem que encarar, no rádio é preciso fazer tudo. Sempre que faltava algum repórter eu assumia, e nessa de cobrir os colegas acabei caindo para o lado policial e me firmei.

JdeM: E a passagem para a televisão, como aconteceu?
Givanildo: O Edeilson Lins, que é o apresentador do programa, passou pela Rádio Jornal. Depois ficou um bom tempo afastado do rádio, voltando ao lado do empresário Antônio Gonçalves para fazer um programa policial na rádio TVI daqui de Caruaru. E ficaram sondando os dois repórteres policiais da cidade, eu na Rádio Jornal e o outro da Liberdade. Então eu fui fazer um teste junto com o outro repórter. Eles gostaram mais do meu perfil e me fizeram o convite. Eu disse que tinha interesse, mas que nunca havia feito televisão na vida. Mas eles aceitaram e disseram que não havia problema, que aos poucos eu ia me adaptando. Tudo começou como uma grande experiência, eu não queria me atrapalhar na rádio, então fomos levando do jeito que dava.

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Viatura pronta para ganhar as ruas


JdeM: Desde o começo do programa vocês já arriscavam as matérias mais engraçadas?
Givanildo: Não, no começo do programa não tínhamos essa intenção. Eu faço o estilo engraçado no rádio, gosto de brincar com as pessoas o tempo todo. Só que na televisão eu não me senti seguro para fazer isso. Afinal, estava começando. Até que me disseram que eu podia ficar mais à vontade. Foi quando aconteceu a entrevista com o Jeremias, e tudo mudou.

JdeM: Como foi a entrevista?
Givanildo: Eu estava saindo da segunda delegacia, indo para a emissora quando me ligaram avisando que tinha um ?bebinho? lá na primeira. Quando cheguei e vi o cabra naquele estado fiquei sem saber o que fazer. Completamente bêbado, mandando todo mundo tomar naquele canto. Pedi o nome dele, onde mora, a placa etc. Mas estava a maior confusão, tanto é que quando eu digo a placa da moto eu troco tudo. Comecei a entrevista e ele desembestou a falar besteira, que tinha bebido com o cão etc. Achei que não ia dar em nada. Foi ao ar no dia seguinte e a repercussão local foi muito grande.

JdeM: E o que acarretou a repercussão nacional?
Givanildo: Foi graças ao site do programa, que surgiu com idéia do Adelson. As pessoas começaram a ver no site e a entrevista foi se espalhando. Aqui mesmo em Caruaru, nos cyber-cafés, já era muito comentada. Até que chegou no blog Kibeloco e estourou de vez. Hoje temos mais de 3 mil acessos por dia no site do programa.

JdeM: Com a grande repercussão da matéria engraçada vocês não pensaram em mudar o foco do programa? Pender mais para o humor ao invés das matérias policiais mais tradicionais?
Givanildo: Chegou um momento em que nós fazíamos mais matérias engraçadas do que normais, mas tudo porque apareciam mais bêbados que qualquer outra coisa na delegacia. Mas não dava, nem dá para ficar só nisso. Se fosse pelo público o programa seria basicamente de humor. Mas a direção não quer partir para esse lado, mas também não quer sair. Tentamos equilibrar as coisas.

JdeM: E de onde vem esse dom para o humor?
Givanildo: Não tenho inspiração em ninguém, é coisa minha mesmo. Gosto muito de brincar, tirar sarro, estou sempre de bom humor. Mas é claro que eu sei falar sério também quando preciso.

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Sobrinha de Adelson e Giva, o ídolo da garotada


JdeM: Você não teme que os personagens que num primeiro momento são engraçados, que foram detidos somente por bebedeira possam cometer um crime grave no futuro e isso gere um mal estar?
Givanildo: Não tenho, não. Quase sempre o entrevistado vê no outro dia tudo na televisão o que fez. A repercussão é muito grande e ele fica com medo. O Jeremias, por exemplo, a mãe dele foi parar num hospital por conta da matéria. Ele foi parar até no programa do Ratinho, e ficou muito envergonhado. Fui na casa dele, conversei e tudo mais, aconselhei ele a tomar jeito na vida. Ele não é um menino ruim. Só que quando bebe fica transtornado, fica violento daquele jeito. Ele anda num cavalo e toma uma pinga danada. Só que ainda bem nunca mais deu entrada na delegacia. São apenas pessoas comuns que quando bebem fazem besteira, não são assassinos, e aparecer na televisão acaba intimidando.

JdeM: Você já foi ameaçado por algum entrevistado?
Givanildo: Nunca fui. Eu sou legal com os presos. Trato todos bem e com respeito. Já cheguei até a dar água na boca de preso. Só uma vez que um rapaz ficou com raiva de mim, pois pensou que eu tinha dedurado ele para a polícia. Mas depois ele tomou conhecimento e não teve problema nenhum. Não é porque eu faço um programa policial que vou ficar dedurando as pessoas. Mas sempre que eu chego em casa tomo alguns cuidados.

JdeM: Os programas populares são geralmente vistos como exploradores da desgraça alheia. Você se sente assim?
Givanildo: De jeito nenhum. Teve um momento que a direção da tevê achou que eu estava debochando das pessoas. Mas não é o caso. Para você ter uma idéia, hoje em dia quando me vêem na delegacia, os bêbados já começam a olhar e rir pra mim, querendo ser entrevistado. Quando eles entram na brincadeira eu me solto. Também já aconteceu de tentarem me agredir. Mas se não quer aparecer eu respeito, não tem problema.

JdeM: Qual a entrevista mais engraçada?
Givanildo: A do Jeremias por incrível que pareça eu não gostei muito, pois não esperava, não estava preparado. Se fosse hoje seria ainda mais legal. Na verdade não tem uma só, são várias.

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Bastidores do programa


JdeM: Você gosta de beber?
Givanildo: Gosto bastante. Não tenho muito tempo, trabalho todos os dias. Mas quando dá vou para a casa de amigos, compramos uma caninha, um uísque, um tira-gosto, coisa e tal. Aprecio a Pitú que é de Pernambuco, uma cervejinha também vai bem. E tem uma coisa engraçada. Sempre que eu estou lá acontece alguma coisa. Aí eu estou tomando aquela cachaça, com um bafo de cana da gota, e tenho que sair correndo pra fazer a matéria. Aí o jeito é comprar um confeito e ver no que dá.

JdeM: E qual o tira-gosto mais adequado? Gosta de um quitute?
Givanildo: Não muito. O quitute é uma carne enlatada, e o pessoal come acompanhando a cana. Eu gosto de comer umas frutas. Chupo uma laranja e tomo uma lapadinha de cana. Umbú, seriguela, melancia. Fora os tira-gostos tradicionais, a buchadinha, sarapatel etc.

JdeM: Você acha que estando bêbado seria um bom personagem para o programa?
Givanildo: Na adolescência eu era um bêbado muito chato, ficava violento. Mas com o tempo a gente vai aprendendo. Hoje eu bebo e fico rindo. A fala não sai direito. Eu poderia ser engraçado porque eu ia rir demais. E eu bebo e caio logo.

JdeM: Você está no Orkut, certo? Sofre bastante assédio fora da internet também?
Givanildo: Foi bom você ter falado no Orkut. Eu entrei esses dias, e tinha um cara que estava se passando por mim. É bom que as pessoas saibam qual é o meu perfil de verdade. Vejo de vez em quando, quem manda recado etc. Sobre o assédio, rola bastante sim. E é curioso que as crianças adoram o meu trabalho. Aqui em Caruaru, onde eu passo tem criança querendo falar comigo. Ligam pra mim em casa. Já cheguei a ir até em aniversário. Por conta das matérias com o boi chorão, da galinha etc. Mesmo na delegacia a criançada me chama. Fizeram até fila pra autógrafo. Acho muito legal isso, ser reconhecido, foi o que eu sempre quis. Com o sucesso do programa me sinto realizado.

JdeM: Qual o segredo do sucesso das matérias engraçadas?
Givanildo: Eu tentei fazer diferente, usando uma linguagem bem popular, e acho que isso ajudou na repercussão. É claro que os entrevistados são importantes, mas esse diferencial também conta. Se fosse só na coisa séria não ficaria tão legal.

JdeM: Vocês têm alguns projetos imediatos para o programa?
Givanildo: A princípio nós estamos tentando melhorar o site, que é uma grande forma de divulgação do trabalho. Mas precisamos de patrocínio para manter. São muitas idéias, as pessoas entram em contato com a gente para sugestões. E vamos colocar todo tipo de matéria, mas sem ficar somente na coisa engraçada. Muita gente pensa que é programa de humor, mas não é.


PRÊMIO PITÚ DE JORNALISMO TOSCO


Conforme aprumado acima, ofertamos um mimo final para que você conheça um pouco mais de alguns personagens importantes do programa Sem Meias Palavras, selecionados de acordo com a apreciação do staff do Jornalista de Merda. Para assistir os vídeos basta clicar nas imagens.


Ivanildo Holanda dos Santos, vulgo Caninha

Motivo: preso por perturbação da ordem



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Melhores momentos

Parte 1
Givanildo: Olha a cara dele, fica rindo...
Caninha: Já tá dizendo que eu bebo, né?
Givanildo: Mas já tomasse uma hoje, não já?
Caninha: Veja bem, apesar que... eu comecei a beber com dois anos.
Givanildo: Hoje você tem 24... então você bebe há 22 anos é?
Caninha: 22 anos que eu bebo...
Givanildo: Rapaz, você tem uma cara cínica danada, né?
Caninha: Eu sou bonito?
Givanildo: Não, aí fica pras tuas mulheres...

Parte 2
Givanildo: Tu já matou alguém?
Caninha: Eu tenho dois crimes.
Givanildo: Matasse quem?
Caninha: Eu não poderia dizer o nome.

Parte 3
Givanildo: O que foi que tu bebesse?
Caninha: Eu bebi dois litros de uísque, um litro de Dreher, uma grade de cerveja e seis litros de cana.

Parte 4
Givanildo: Comeu algum tira-gosto?
Caninha: O tira-gosto que eu tô comendo é esse...
Givanildo: Uma bala, né?
Caninha: Não, isso é uma "Frigelis" de melão, a minha preferida...

Destaque ? Caninha canta e loroteia o tempo todo, diz que sempre foi um popstar, um modelo, que era cunhado de "Tim Lópi", e inicia quase todas as frases com "apesar". Já são quatro passagens de Caninha pela delegacia, ou seja, quatro matérias no programa.

O repórter analisa o entrevistado ? Ele é uma figura folclórica. Não tem juízo. Tem a coisa do "apesar". É uma pessoa boa de formação. Mas quando ele bebe começa a dizer coisas totalmente sem sentido. Ele fica fantasiando. Mas doido ele não é, pois se não dava com a cabeça na parede. Mas apanha, viu! E não ta nem aí. Quanto mais apanha, mais gosta.


Severino José da Silva, vulgo Biu Goaiaba

Motivo: preso ao tentar roubar uma casa



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Melhores momentos

Parte 1
Givanildo: Você ia roubar a casa mesmo?
Biu: Ia mesmo.

Parte 2
Givanildo: Já tinha tomado uma, não já?
Biu: Não, tinha bebido não que eu parei de beber.
Givanildo: Mas tu tá com um bafo de cana da bixiga, visse...

Destaque: Momento em que Givanildo chama a apresentação de canto e dança de Biu Goiaba, que interpreta a canção "Se exa nega foxe minha".

O repórter analisa o entrevistado - Quando bebe fica inconsciente, não sabe voltar pra casa, endoida de vez, tira a roupa, fica de cueca. Ele mora na zona rural de São Caetano, os pais se preocupam muito com ele. Ele caiu várias vezes, colocaram gesso e ele tirou. Não pára. E todo dia ele vai até a emissora pedir dinheiro pra gente. Nós damos um trocado e tal. Agora está atrás de um carrinho pra vender churrasquinho.


Cristiano José da Silva, vulgo Quem Não Deve

Motivo: acusado de tentar furtar uma bicicleta



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Melhores momentos

Parte 1
Cristiano: Não devo não, quem não deve não treme...
Giva: Quem não deve?
Cristiano: Não treme.

Parte 2
Givanildo: Quem não deve? Quem não deve?
Cristiano: Não tremeeee!

Destaque: Cristiano não pára de rir de alguém atrás da câmera (ou do próprio câmera) que também ri o tempo todo. Givanildo percebe e manda: "Vamos continuar que tá bem descontraído aqui..."

O repórter analisa o entrevistado ? Esse rapaz é cachaça também. Foi acusado de furto num bar no bairro do Salgado. Ele e um amigo. Chegou no bar, pediu uma cerveja, o dono do bar foi servir e a carteira caiu. E ele furtou com o amigo dele. Já passou diversas vezes pela polícia, e nessa vez que eu o entrevistei estava totalmente embriagado. No outro dia ele estava bom, fui fazer mais uma matéria e ele estava bravo, não falava mais o "não treme".

Site do Programa
Sem Meias Palavras

Sem Meias Palavras no Orkut
Perfil Givanildo Silveira

Maior comunidade homenageando o repórter
Fãs de Givanildo Silveira 157 membros

Maior comunidade homenageando o programa
Sem Meias Palavras 1599 membros

Comunidades dos entrevistados
Biu Goiaba 612 membros
Caninha,Sem Meias Plavras 81 membros
Eu já bebi com Jeremias José 8914 membros

Agradecimentos: Adelson Silva e Givanildo Silveira.
Crédito das fotos e imagens: Programa Sem Meias Palavras


segunda-feira, agosto 01, 2005

 

Modere o seu linguajar, por favor!


Semana sim, semana não, uma febre diferente se adona do mundo virtual. Seje um álbum de fotos, seje um vídeo, uma música, seje lá o que for. Naquele pula-pula de páginas algo diferente acaba caindo nas graças de alguém que antevê a jogada e passa para a brodagem por email ou via messenger. Em questão de horas - o que estava no limbo, restrito a uma meia dúzia de cinco ou seis - vira fruto da paixão e devoção de todo um povo. Seu download é suplicado, seu link abençoado. E para referendar a condição de mania, multiplicam-se as comunidades no Orkut sobre o tema.

Foi dessa maneira que despontou na rede um vídeo contendo uma prosaica brincadeira adolescente. Um episódio do seriado para televisão do Batman dublado com toda sorte de palavrões que a língua ? brasileira legítima, no caso ? foi capaz de parir. A brincadeira varreu os computadores canarinhos, incluindo os sediados fora do território nacional. E ficou. Não é mais modinha. É conceito. Religião.

Não por acaso, claro. E aqui no Jornalista de Merda você vai saber todos os detalhe dessa empreitada fantástica, começando por uma breve história do dia em que ela veio ao mundo...


ME EXPLICA ESSA PORRA!


Tudo culpa dos americanos. Precisamente em 1981, Marcos retornou dos Estados Unidos com uma revolução tecnológica na bagagem. Um aparelho capaz de trazer o cinema para dentro de casa. E mais, capaz de gravar o programa que quisesse na televisão numa fita que você poderia reproduzir também quando quiser. Um troço do mal, obra do Dimo mesmo. Um videocassete JVC 6700 trincando de novo, artigo ainda praticamente desconhecido abaixo da linha do Equador. Se a parada derrubava a cabeça dos adultos, calcule o que rolava nas mentes mais jovens diante de tamanha sofisticação.

Foi o que pegou com Fernando, irmão mais novo de Marcos, então com 19 anos. Empolgado, passou a xerocar sem lei tudo que rolava na tela. Até que num certo dia, ele não titubeou e mandou uma tecla REC sem medo de ser feliz no exato momento em que enchia a tela as peripécias de Batman e Robin. Nessa época, o seriado era exibido pela Rede Globo todas as terças e quintas às 17 horas. Gravou e largou.


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Até que um dia, Antonio ? bróder das antigas, 18 anos ? foi convocado por Fernando para a degustação da fita do Batman. Há 24 anos a parada já era visivelmente tosca, e o canal era curtir as cenas de ação tão malacabadas que as lutas dos filmes dos Trapalhões pareciam ser coreogradas pelo Jet Li. Eis que quando a fitinha passou a girar veio o estalo:

Fernando: Vamos dublar essa merda?
Antonio: Dá?
Fernando: Claro que dá, porra.


O videocassete JVC 6700 não era um aparelho comum. Era tunado. O bichão expandia os novos horizontes da tecnologia doméstica contendo um controle-remoto com fio, funções de câmera lenta, quadro a quadro e, no caso, uma tecla chamada audiodub, que proporcionava a inserção de áudio na gravação sem alterar as imagens. Tava feita a cagada.

Fernando: Você presta atenção nas falas do Robin que eu vejo as do Batman.
Antonio: Tá certo...


A partir daí rolou uma sessão corrida do episódio que durou a tarde inteira. Os dois assistiram a gravação pelo menos umas dez vezes, até sentirem-se aptos a assassinar a dupla dinâmica. Antes, porém, Fernando foi até o armário e sacou um compacto simples do Grupo Capote para enfeitar a nova versão da fita como fundo musical. Com o disquinho na agulha - e a música ?Feira da Fruta? bombando nos alto-falantes posicionados ao lado da televisão ? restava apenas plugar o microfone. Tudo em riba, os dois foram às vias de facto.


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Não tinha roteiro, script, porra nenhuma. Fernando e Antonio foram dublando na raça, passando o microfone de mão em mão e chorando de rir com o desenrolar dos diálogos carregados de boa parte dos palavrões da língua portuguesa. Quando a insanidade se adonava do ambiente e a hemorragia de prazer era difícil de conter, os dois tomavam um fôlego pausando as ações. Com os pulmões reabastecidos, prosseguiam alterando os rumos dos personagens de improviso, escolhendo na hora quem dublaria quem. Concluída a nova versão do episódio, era hora de conferir o resultado:

Fernando: Até que ficou bom, né...

Mas faltava uma opinião externa para realmente atestar o sucesso da empreitada. José Luis ? irmão de Antônio ? apareceu na área e foi o primeiro a assistir a sacanagem. E antes de terminar sentenciou:

José Luis: Quero participar dessa merda. Me põe aí dublando qualquer um...


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Ficou decidido que José Luis dublaria a voz do Comissário Gordon, e assim foi feito. No mesmo estáile de Fernando e Antonio, José Luis colocou sua voz no filme e passou a ser o terceiro e último participante da dublagem. Aos poucos, os amigos foram aparecendo e tomando conhecimento de todo um novo conceito em seriado do Batman, e como a casa de Fernando era o ponto de referência para reunir a patota antes de cair na noite paulistana, não demorou muito para a fita virar febre. Os empréstimos passaram a ser inevitáveis, todo mundo queria mostrar na festa, no churrasco, para o pai, para a vó. Uma falta de desorganização total até que aconteceu o que os proprietários temiam. A fita original ? ali por volta do começo dos anos 90 - simplesmente desapareceu.


COMO É QUE PODE SER VERDADE UMA PORRA DESSA


A fita sumiu das mãos de seus progenitores para cair no underground. Cópias e mais cópias foram feitas, e quem não as possuía, certamente já ouvira falar de uma lendária fita com a dublagem de um episódio do Batman. A brincadeira seguiu seu caminho natural, tocando o terror em churrascos, festas e reuniões em geral. E de cabeçote pra cabeçote, artesanalmente, foi ganhando ferrenhos admiradores. A origem do material já se perdera no tempo, e muitas eram as estórias de como e quem havia produzido a dublagem.


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Os responsáveis no primeiro encontro



Como não poderia deixar de ser, o conteúdo da fita ? mais precisamente a cena no escritório do Comissário Gordon ? foi transformado em arquivo de vídeo para computador, e não demorou a ser amplamente disseminado através da internet. Em território livre para especulações, surgiram na rede mundial de computadores as mais estapafúrdias explicações para sua feitura. Um email com o título "eu sei quem fez a fita do Batman" impregnou as caixas postais, afirmando ser o dono da verdade. E assim circulou até chegar aos olhos de Fernando.

No início de 2003, Fernando - então com 40 anos, trabalhando com venda de automóveis, casado e sem filhos ? tremeu na base quando se deparou com o email que propunha desvendar o mistério da lendária gravação. Afinal, ele que tinha feito! E não conseguia acreditar que mais de 20 anos depois a brincadeira estava viva. E apavorando geral. Na mesma hora, respondeu ao email corrigindo algumas informações. Quando recebeu a resposta, o susto foi ainda maior. Do outro lado, alguém o tratava com grande reverência, e solicitava que ele acessasse um determinado site. Sem demora ele entrou no site e estava lá: a gravação do seriado do Batman dublado para download. Imediatamente, ligou para Antonio ? hoje consultor financeiro do Itaú Vida e Previdência e também casado e sem filhos ? e largou a bomba no peito do camarada e também autor da brincadeira. Os dois ficaram sem ação.

De lá pra cá, Fernando Pettinati e Antonio Carlos Camano ? Batman e Robin, respectivamente ? viraram ídolos. Ainda em 2003, um encontro foi organizado por Fernando Chiocca ? o rapaz do email (leia entrevista mais abaixo) ? para finalmente apresentar e celebrar os dois responsáveis pela gravação. Enquanto isso, o sucesso do filme na rede foi aumentando e explodiu em 2005. Estima-se que já tenha sido visto por mais de um milhão de pessoas. No Orkut são quase 50 comunidades referentes à dublagem, e milhares e milhares de adeptos discutindo e brincando com os diálogos. Frases malcriadas que entraram definitivamente no cotidiano das pessoas.

Cerca de um mês atrás, Fernando e Antonio foram convidados para um encontro na UNICAMP organizado pelo fã Glauber de Oliveira Costa, e arrastaram uma multidão insana para o evento. Em Curitiba foi organizada uma festa temática, com exibição do filme e tudo que tem direito. Os pedidos de entrevista chegam diariamente. E no meio dessa confusão, ainda inebriados pelo sucesso repentino, Fernando e Antonio concederam entrevista para o Jornalista de Merda:


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Dando explicações na UNICAMP



JdeM: Se a dublagem fosse feita hoje em dia vocês acreditam que o sucesso seria o mesmo?
Fernando: Se fosse fazer uma coisa de estúdio não ficaria tão legal. A falta de recursos deixou a brincadeira mais legal. Foi tudo espontâneo.
Antonio: Com certeza ficaria diferente se fosse feito hoje em dia. A sonoplastia foi feita toda com a boca, tudo caseiro.

JdeM: Vocês costumavam fazer esse tipo de atividade explorando o humor?
Antonio: Nós nunca havíamos feito algo do tipo. Nós falávamos muito palavrão, bobagem, adolescente sabe como é. Eu sempre fui muito tirador de sarro, então nós tínhamos algumas sacadas boas. Era da natureza da gente mesmo.
Fernando: O Antonio Carlos é meu amigo de infância, então a gente já tinha intimidade nas brincadeiras, o mesmo senso de humor, ele adora tirar sarro. Mas nunca havíamos feito nada.

JdeM: Como foi a repercussão na época?
Fernando: Na época meu irmão viu, mas nem lembrava direito. Meus primos viram. Mostrei para o meu pai, todo mundo dava risada.
Antonio: Eu também mostrei para os meus pais e uns tios meus e eles deram risada na época, mas eu fiquei muito envergonhado.


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JdeM: A fita se perdeu e vocês nunca mais ouviram falar dela?
Antonio: Não. Nós fomos descobrir que virou uma coisa meio cult, uma espécie de lenda sobre um filme do Batman dublado agora nos encontros. E isso não chegou até a gente.

JdeM: Qual foi a reação de vocês ao perceberem a dimensão que tudo tomou? E quando isso aconteceu?
Fernando: Senti que as coisas tinham tomado uma grande proporção agora no encontro da UNICAMP. Dá até medo. As pessoas te olham como se você fosse um grande ídolo. A ficha do Antonio Carlos já caiu, a minha ainda está caindo. Você dar autógrafo por um vídeo gravado há tanto tempo é muito estranho.
Antonio: Quando o Fernando Chiocca organizou o primeiro encontro eu fiquei um pouco preocupado. Nós ficamos distantes, eu fiquei 18 anos sem ver a fita. Mas resolvemos encarar isso tudo. Chegando lá estava lotado. Foi uma surpresa muito grande.


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Fernando Pettinati e Antonio Carlos Camano



JdeM: Como é ser tratado como ídolo?
Antonio: Eu não levo em conta os autógrafos, não me vejo como celebridade. As pessoas querem tirar foto, acho ótimo. Mas o que eu enxergo é que fizemos uma coisa que as pessoas dão risada. O brasileiro é muito carente de diversão. Foi uma coisa muito espontânea. Eu me divirto muito em saber que as pessoas dão gargalhadas com isso. Acho sensacional.
Fernando: É meio estranho. Eu sou um cara tímido. Estou muito melhor do que eu era, mas ainda fico um pouco constrangido. E daí o pessoal fica me olhando, querendo que eu fale no microfone. Eu não estou acreditando em mim mesmo.

JdeM: Não aborrece em nenhum momento?
Fernando: Eu levo as brincadeiras na boa. Não me aborreço mesmo. Gosto, acho muito bacana o pessoal levar tudo no bom humor.
Antonio: Eu acho muito bacana o assédio. É uma satisfação. Não incomoda de jeito nenhum.

JdeM: E a repercussão entre os conhecidos?
Antonio: Os meus amigos ficaram surpresos. Começam a me chamar de Robin. Alguns já tinham visto e não sabiam que eu tinha participado. Mostrei para a minha esposa, ela sabia só de eu falar e gostou muito quando viu.
Fernando: Minha esposa agora viu, deu muita risada. Mas antes desse sucesso ninguém sabia. O pessoal do trabalho já sabe, quer tirar fotos, querem exibir em churrasco.


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Com os fãs na UNICAMP



JdeM: Vocês tem pretensão de fazer uma outra dublagem no mesmo estilo?
Fernando: Por enquanto não temos pretensão. Quem sabe um dia eu chamo o Antonio Carlos e a gente vê no que dá. Se ficar bom a gente divulga.
Antonio: Temos um pouco de receio de fazer outra coisa. Além do que hoje tem uma legislação. Apesar de que temos o respaldo legal de poder fazer sem diminuir o filme, esculhambar os atores. É possível fazer a sátira. Teríamos a responsabilidade de fazer algo muito melhor, no mínimo igual. Todo mundo pede muito.

JdeM: Falando em legislação, vocês receberam alguma notificação da detentora dos direitos autorais?
Antonio: Nós não colocamos na internet e não comercializamos nada. Foram terceiros que disponibilizaram, foram terceiros que arrumaram novas imagens para melhorar a qualidade do vídeo, então não temos essa preocupação.


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JdeM: Vocês tem algum projeto relativo ao material da dublagem?
Fernando: Nós estamos montando um site com uma empresa especializada. Acredito que em 15 ou 20 dias deve estar pronto. E em relação a exploração do material acho que vai ser possível divulgarmos a imagem sim.
Antonio: Estamos juntando todo o material para disponibilizar no site. Eu recebo email de vários países mostrando material relativo ao filme. Têm músicas utilizando os diálogos do filme, festas, vídeos com referências, muita coisa bacana. Além disso, será um ponto de encontro do pessoal que gostou da dublagem.

JdeM: Circulam pela internet dois outros episódios do Batman dublados no mesmo estilo, só que feito por outras pessoas. Vocês já viram?
Fernando: Eu vi um deles e gostei.
Antonio: Eu também vi um só e achei engraçado. Encaro como uma homenagem.

JdeM: Pra finalizar, qual a cena que vocês mais gostam?
Antonio: Eu gosto muito quando o Robin intima a Clotilde na lanchonete. Talvez seja a minha preferida.
Fernando: A cena que eu mais gosto é quando os dois estão na Batcaverna.


AHHH, VOCÊ NÃO É AQUELE VIADINHO?


Antes de o vídeo alcançar um estrondoso sucesso na internet, a sacanagem com a dupla dinâmica já fazia muito sucesso na casa de Fernando Chiocca. Seu irmão mais velho pegou emprestada a fita com a dublagem de um amigo do colégio Dante Alighieri em 1991. Deste então, Fernando passou a cultuar a brincadeira com o Batman exibindo sempre que possível aos amigos. A devoção rendeu um site (Porra, Batima!) sobre a fita, que foi passo decisivo para a popularização. Teve a sorte de encontrar o xará Pettinati pela internet e foi o responsável pelo primeiro encontro dos fãs com os a dupla da lendária gravação. Saiba um pouco mais como isso tudo aconteceu:

JdeM: O que te levou a fazer o site?
Fernando Chiocca: O filme fazia parte da minha vida, era algo que ficou enraizado em minha personalidade. Passamos (eu e meu grupo de amigos) a falar as frases do filme em todas as ocasiões. E agora na internet vi que esse é um fenômeno comum em inúmeras turmas. Como era fã do filme, um dia estava sem nada pra fazer e fiz o site de brincadeira, apenas pra mostrar pros amigos, mas também com o remoto intuito de encontrar os criadores.

JdeM: Como encontrou eles?
Fernando Chiocca: Depois de alguns anos com o site no ar eles me encontraram!


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Fernando Pettinati, Fernando Chiocca e Antonio Camano



JdeM: E como funcionou o encontro?
Fernando Chiocca: Foi no dia 12 de agosto de 2003. Quando eles me encontraram me mandaram um email dizendo serem os responsáveis pela fita. Pelas informações contidas no email eu percebi que tinha grandes chances de serem os verdadeiros criadores, já que durante todos esses anos surgiram diversas lendas a respeito dos mesmos. O Fernando me mandou um email com o telefone e na hora eu liguei e ouvi a voz do Batman! Foi incrível, ele não imaginava que tinha uma legião de fãs. A noticia se espalhou e minha galera começou a exigir o encontro. Uma semana depois desse email o encontro estava organizado e armado. Foi sensacional, uma breve descrição do que rolou está no meu site.

JdeM: O que você achou dos caras por trás das dublagens pessoalmente?
Fernando Chiocca: Mantenho contato com eles até hoje. O robin me liga direto. Achei os caras uns puta figuras, aliás, muito parecidos com os personagens dos filmes. O Robin (Antonio) é um desbocado e o Batman (Fernando) faz um tipo mais sério, mas é muito engraçado.

JdeM: O que te fascinou tanto no vídeo?
Fernando Chiocca: É uma das coisas mais engraçadas que já vi. A primeira vez que eu ria tanto que perdia a fala, minha barriga doeu muito de tanto rir. Depois, as falas do filme ficaram na minha cabeça e estão nela há mais de dez anos. Vai entender. Talvez eu fosse uma mente com um vocabulário pobre, cheio de lacunas, este filme veio a preencher este vácuo.


PUTA PUTEIRO DO CARALHO


- na mesma fita em que foi gravada a dublagem do seriado do Batman, Fernando gravou uma dublagem por cima do programa "Qual é a música" de Silvio Santos. No mesmo estilo, mas com menos palavrões.

- o nome do episódio é "Um adversário à altura de um medonho bandido".

- quando Fernando diz "Robin, modere o seu linguajar, por favor" era para Antonio parar de falar tanto palavrão, já que eles não sabiam quem poderia assistir a fita depois.

- Fernando dublou os seguintes personagens: Batman, Coringa, Dick e Chefe Ohara. Já Antonio dublou Robin e Clotilde. Nos personagens secundários eles se revezaram. José Luis, irmão de Antonio, dublou o Comissário Gordon.

- A música "Feira da Fruta" é do Grupo Capote, que acompanhava Tom Zé no início dos anos 70. O Capote fez a primeira fusão entre o rock e o baião. Ficou famoso ao lado de Odair Cabeça de Poeta.

- Num carnaval na casa de uma tia em Salvador, Fernando comprou o compacto simples do grupo Capote que continha "Feira da Fruta", sucesso em 1973. Quando resolveu utilizar a música como fundo na gravação a intenção dele era que as pessoas achassem que a música dizia "filha da puta", como de fato parece.

- os dois estavam sóbrios quando conceberam a dublagem.

- O pai de Fernando (já falecido) era engenheiro e foi responsável pela construção do prédio onde os dois moravam, nos Jardins. A amizade aconteceu pelo pai de Antonio ser dentista e cuidar do pai de Fernando.

- Fernando havia dublado o Comissário Gordon, que acabou ganhando a voz de José Luis (irmão de Antonio) na seqüência.

- os três principais personagens do seriado, Batman, Robin e Coringa eram feitos pelos atores Adam West, Burt War e Cesar Romero, respectivamente.

- a palavra "puta" é falada 42 vezes durante os quase 25 minutos do episódio.

- Letra de Feira da fruta do Grupo Capote:

Entrei na feira da fruta
Pra ver o que a feira da fruta tem
Tinha laranja, morango e banana
Só não tinha a jaca do meu bem

Feira da fruta é a feira mais cara
A onde só da "pilão"
Tem a feira tamanho família
Tem até a feira do melão

Feira da fruta hey!
Feira da fruta ha!
Feira da fruta hey!
Feira da fruta ha!
Feira da fruta hey!
Feira da fruta ha!


DA ONDE VOCÊ TIROU ESSE BAT-ESCUDO, HEIN?


OPÇÕES DE DOWNLOAD DA DUBLAGEM:

IMAGEM DE ALTA QUALIDADE (179MB)
Basta esperar 30 segundos para o download ser liberado.

Formato MPEG (240MB)

Formato AVI (106MB)
1
2

Formato WMV (8x 4,8MB)
Caso tenha problemas, você pode baixá-lo em partes, através destes dois grupos:
Partes 1 a 4
Partes 5 a 8

NOVO LINK (14/05/05)

LINK PARA BAIXAR O VIDEO DO ENCONTRO COM OS DUBLADORES NA UNICAMP (200MB)

TODAS AS FALAS DA DUBLAGEM DO FILME DO BATMAN

FOTOS DO ENCONTRO NA UNICAMP

MP3 DE FEIRA DA FRUTA
obs: é só clicar em FREE na tabela no pé da página e esperar alguns segundos para o download ser liberado.

MÚSICAS UTILIZANDO OS DIÁLOGOS DA DUBLAGEM

IMAGEM DO CARTAZ DA "FESTA DO BÁTIMAN" EM CURITIBA

PERFIS DOS DUBLADORES NO ORKUT
Fernando Pettinati (Batman)
Antonio Carlos Camano (Robin)

Agradecimentos:
Fernando Chiocca e Glauber de Oliveira Costa pelas fotos que ilustram essa matéria. Comunidades "Filme do Batiman" (moderador Marcos Ludwig) e "Bateman - Feira da Fruta" (moderador Ivan Bucchioni Souza) de onde vieram os links para download.


sábado, julho 30, 2005

 

Bate que eu gamo


Com o advento das lutas de vale-tudo o boxe ficou um tanto quanto esvaziado para a minha pessoa. O afastamento de Balboa e Apolo Doutrinador das lonas já havia me desmotivado consideravelmente, o tempo passou e a falta de desorganização ficou total. Convenhamos, a graça de ver duas pessoas se enxugarem na bordoada atingiu níveis nunca dantes imaginados com a aparição dos embates em que tudo ? quase tudo, vá lá ? é permitido.

Popularizado, todo esse novo conceito transformou a milenar arte do pugilato numa prática quase infantil para os entusiastas da porrada moderna. Ninguém em sã inconsciência trocaria voadoras, joelhadas e cascatas de sangue por socos com luvas gigantescas intercalados pelo nefasto clinch. Em suma, o boxe passou a rivalizar em emoção com aquelas lutas com cotonetes gigantes em cima de uma trave.

Pensava assim até o dia em que me dirigi às dependências do número 629, da Rua 13 de Maio no centro de Curitiba, capital do Paraná. Responde por este endereço o teatro Lala Schneider, e é claro que eu não estava lá para assistir uma peça. Eram jogados cinco de abril do ano corrente e lá eu iria para engrossar a audiência de uma luta de boxe e aprumar minha opinião a cerca desse esporte que tem gente que diz que não é esporte. Desta feita, Rodrigo Abud não me acompanhava, visto que se encontrava em lugar incerto e não sabido. Ao meu lado, Eduardo Santana, bróder apesar de jornalista, e Hugo Pontoni, também jornalista e responsável pelos shots à meia luz que ilustrarão essa reportagem.

Na entrada, mandamos aquele carteiraço amigo para não pagar nada, afinal, apoiamos a causa do esporte amador. Isso descontando a visão privilegiada que teríamos mesmo tendo chegado muito depois de todas as pessoas que pagaram ingresso e disputaram uma cadeira bem posicionada. Coisas de Laurinha.

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Vem cá. Eu nunca tinha ido ao Lala e fiquei muito bem impressionado com suas instalações. Um teatro pequeno e aconchegante, em ótimas condições para abrigar um incêndio. E se encontrava tomado por uma platéia ávida por boas combinações de socos. Senhores e senhoras de idade, moços e moças, despombalizados em geral. Nós chegamos no desenrolar de uma luta amadora, prevista na programação, aprumamos os nossos por ali e passamos a degustar o combate. E foi preciso apenas uma muca certeira para todo um conceito cair por terra. QUE BÍFA, MALUCO!

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Impressionado pela pujança do golpe, o óbvio ululante se adonou das minhas portas da percepção. Reitero: a turma xóxa a porrada sem lei. Assistindo pela televisão não se tem a real dimensão da potência das lapadas. Ao vivo são outros quinhentos. No caso das lutas amadoras, os participantes utilizam aquele simpático capacete protetor, o que eu acredito não deva fazer muita diferença na absorção dos tiros, influindo apenas se grau 10 ou 9 de enxaqueca nas duas semanas posteriores a luta.

De bem com a verdade do boxe, aos poucos fui me dando conta dos detalhes do espetáculo. Nada como uma parada roots. É claro que todos gostariam de dar um tapa na cabeleira do Don King em algum cassino de Las Vegas, especialmente aqueles que empregam um tutu na jogada. Mas o glamour da alta roda do boxe mundial certamente não tem o charme dos combates no underground. A começar pelo gongo manual, que recebe tratamento de diva nas mãos do responsável pelo tilintar obrigatório do esporte. Podes crer, amizade. Clube da Luta perde feio.

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O combate amador preliminar se desenvolveu sem que houvesse um vencedor por nocaute, o que acirrou os ânimos dos presentes para as próximas lutas. Geral queria ver alguém beijando a lona haja o que hajesse. Nós também, claro. E essa expectativa tinha tudo para ser saciada nos próximos minutos, com a disputa principal da noite. E nada melhor para anuncia-lo que a música tema de Rocky, que invadiu o recinto bombada nos alto-falantes do teatro.

A hora e a vez do olho de tigre


De um lado, Macáris do Livramento, 44 anos, o vovô do boxe para os íntimos, 107 lutas, 104 vitórias e minguadas três derrotas. Seu oponente, o argentino Hiládio Gomes, 39 anos, o desafiante, dono de um cartel com 69 lutas, 51 vitórias e 18 derrotas.

Seria o embate da experiência e técnica de Macáris contra a malícia portenha de Hiládio. E bastaram algumas sapateadas sobre a lona para ficar bem claro que o argentino seria um adversário deveras manhento. Mas ao que tudo indicava o velho Maca não cederia à catimba do adversário. Soa o gongo.

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Ainda na fase de estudos iniciais, percebeu-se que a luta seria a caça do gato Macáris ao rato Hiládio, sem qualquer conotação homossexual ou preconceituosa. Mas apesar de postar-se na retranca - utilizando da arte do tango para compor sua ronda pelo tablado ? Hiládio merecia todo o respeito de Macáris, que evitava lançar-se ao ataque esbaforidamente como bem faria Clubber Lang. Soltava alguns jabs, cruzados, apenas cozinhandinho. Aos poucos, os golpes do dono da casa iam encaixando, e a cada boa seqüência a torcida urrava em êxtase com a iminência de nuestro hermano deitar o cabelo. Literalmente, no caso.

Mas claro, se havia um Balboa canarinho de um lado, por que não poderia haver uma versão argentina do outro? Pois era o que a torcida incrédula constatava. Hiládio Gomes adotara a velha e manjada tática do Garanhão Italiano, agredindo sem parar a mão de Macáris com sua face. E quando a cidadela de Hiládio parecia vencida e o mesmo prestes a desabar, eis que ele permanecia ereto, sufocando o grito preso na garganta da rapaziada.

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Até que no quinto round o caldo engrossou para a representação argentina. Macáris apresentou todo o seu repertório de golpes pilando Hiládio Gomes. A torcida ficou de pé e aplaudiu o quase linchamento que, não se sabe como, não configurou em nocaute. Sexto round e nada, lá estava Hiládio, faceiro, maroto, esquivando pendularmente das direitas e esquerdas possantes que furavam o sinal em sua direção. Eis que no sétimo round o Lala Schneider recebeu o que queria: tá lá um corpo estendido no chão! O de Hiládio, no caso. O juiz abriu a contagem e ultrapassados os dez segundos regulamentares decretou Macáris vencedor da luta por nocaute. Com todos saciados, o dono da festa puxou o microfone pra dar aquela maguilada tradicional.

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Agradeceu o apoio inestimável dos patrocinadores e anunciou a próxima disputa da noite. Subiriam ao ringue Rosilete Santos ? esposa de Macáris ? e a argentina Anália Martinez. E como diria aquele, nocautear sempre é bom, agora, nocautear argentino é muito melhor.

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Sai que é tua, Adrian!


Que estréia, hein amigo? Se não bastasse a brincadeira menino contra menino, teríamos agora uma menina contra menina. Haja coração! E em se tratando de um combate feminino não se poderia esperar outra coisa que não a macharada em polvorosa. Os apupos vindos da platéia refletiam em nervosismo no semblante de ambas as lutadoras. Enquanto Rosilete parecia sentir a responsabilidade de representar a torcida, Anália demonstrava estar um pouco assustada com a situação. Mas sabe como é, foi só a luta começar pra jiripóca piar e as damas partirem para as vias de facto.

Rosilete, no embalo da massa, partiu para cima de Anália, que tentava a sorte em raros contra-golpes. A pequenina desafiante suportava bem os ataques da brasileira e os rounds foram passando sem que fosse possível prever um desfecho. Foi quando a voz da família brasileira entrou em ação e selou o destino da até então muralha inexpugnável Anália Martinez: a chón! Postado no córner - em dupla função, atuando como esposo e técnico ? Macáris ordenou:

- Você vai encher ou não ela de porrada, Rosilete?

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A platéia urrou com a frase, mas foi um gaiato qualquer que deu o impulso fundamental para o encerramento da luta, e fez o teatro explodir de vez ao complementar sabiamente:

- Rosilete, OUVE TEU MARIDO!

Ungida pela palavra amiga vinda das arquibancadas, Rosilete ajustou o
olho de tigre e pregou a mão em Anália que envergou, fez que foi, não foi, e acabou fondo parar na lona.

O amor vencia mais uma.


segunda-feira, junho 27, 2005

 

Achados na Noite


Em seu estupendo álbum "Perdido na Noite", Agnaldo Timóteo embalou num bolero uma bela lição...

"Somos amantes do amor liberdade. Somos amados por isso também. E se buscamos uma cara metade. Como metade nos buscam também. Estou perdido. Estamos perdidos. Mas a esperança ainda é real. Pois quando menos se espera aparece uma promessa de amor ideal"

Eram jogados 1976 e Timas ainda não encontrara o basta definitivo para seu coração em frangalhos. Estava perdido na noite de muitos, sempre à procura da mesma ilusão. Aparentemente, havia deixado de lado as idéias caóticas de um ano antes em "Galeria do Amor", quando o polêmico negrão confessou ter flertado com emoções diferentes ao freqüentar o célebre corredor da viadagem carioca. Mas seguia desgraçado da cabeça, se largando forte na náite.

E se quase 20 anos depois, Timóteo ainda brutalizasse em canções as chagas de seu coração vazio, agora num fim de feira total, humildemente eu lhe dirigiria uma palavra amiga:

"Bróder, deixa com o béque..."

Sem demora, partiríamos em alta velocidade para a Travessa da Lapa, quase esquina com a Sete de Setembro, onde reside o Clube dos Solitários. Local este que recebeu a última expedição da minha pessoa e da pessoa de Rodrigo Abud enquanto produtores desse site. Nos fizemos presentes nessa tal fortaleza do amor, espaço para enfim organizar as tampas em suas respectivas panelas. Curiosos pela notável fila de velhinhos que se aglomeram diariamente defronte às dependências do clube, fomos lá ver qual é da parada.



Os contactos com o proprietário da brincadeira estavam todos agilizados por Abud, que não se limitou a acertar a pauta, foi muito além, e com apenas cinco minutos de conversa telefônica já possuía fortes laços de amizade com o mesmo. Seu nome: Rosaldo Pereira, um entusiasta do amor.

Derrubou é pênalti


Aportei antes em nosso destino. O frio castigava a capital paranaense, e dada a meia dúzia de cinco ou seis que enfrentavam o sereno na porta do estabelecimento, nada parecia indicar um embalo de sábado à noite. Mas nós sabemos que os velhinhos são ordeiros, organizados, pontuais e incansáveis. Portanto, quando adentrei ao gramado em nada me estupefaceei ao constatar que, naturalmente, lá estavam todos a bailar. Minutos depois, Abud estava ao meu lado e a configuração de dupla foi acionada.



Não era assim um público de Fla-Flu, mas até que a terceira idade se adonava bonito do local. O clube é composto por dois ambientes distintos. Vencida a entrada, um grande salão recheado com mesas cobertas por toalhas brancas. E conjugado, um espaço para a dança com o palco e o bar. Destacado no cenário, um pequeno bunker à direita do palco, que de longa distância parecia ser a casinha do DJ. Descobrimos ser o paradeiro de ninguém menos que Rosaldo Pereira, que mostrava não ser somente o responsável pela burocracia do acontecimento, mas também por toda a programação musical.

Profissão Cupido


Durante 10 anos, Rosaldo trabalhou na Rede Globo de Televisão, marcou presença na OM, CNT etc. Milita no rádio há mais de 30 anos, atuando em atrações musicais e jornalísticas. Atualmente, comanda o programa "Em nome do Amor" na rádio Colombo, mega sucesso no ramo casamenteiro, com simplesmente 3.800 enlaces oficiais registrados desde janeiro de 1982, data em que foi ao ar pela primeira vez. Tanto sucesso fez a audiência sentir a necessidade da realização de uma celebração, e daí nasceu a idéia de reunir os ouvintes num baile. No dia sete de setembro de 1990 o Clube dos Solitários abriu as portas. E passados quase 16 anos já atingiu a marca de 640 casamentos oficiais.



"Todo mundo pedia uma festa, um baile, e o clube supriu essa vontade de ter um ponto de encontro dos ouvintes do programa", relembra Rosaldo. O evento foi crescendo e na medida da participação das pessoas carecendo de locais mais amplos para a sua organização. Sendo assim, mudou de endereço diversas vezes, mas na Travessa da Lapa já são seis anos ininterruptos.

Como apresentador do programa e organizador do baile, Rosaldo não poderia se furtar aos convites para ser padrinho dos casamentos arrumados graças ao programa e o baile, e por muito tempo morreu numa grana nervosa pra agradar a turma. "Gastava muito dinheiro sendo padrinho de tanto casal, aí passei a recusar gentilmente os convites", explica o Santo Antônio das Araucárias.

Paradoxalmente, o pai da matéria nunca foi um coração solitário. Rosaldo é casado há 25 anos, e conta com a ajuda da esposa que trabalha no bar. A casa abre de quarta a domingo, e o ingresso vai de dois a cinco cru-crus dependendo do horário. Sábado é dia de som ao vivo, sempre com uma banda diferente. E quando o som mecânico é que comanda, Rosaldo ferve a pista com country, pagode, forró, xóte, boleros, vanerão e derivados.

Com picos que chegam a 940 pessoas, dá pra descolar um numerário gostoso com o evento, mas não é possível tocar a vida só dando uma de cupido. "Não posso negar que tenho um retorno financeiro, mas não é o suficiente. Temos uma série de gastos, como com segurança, por exemplo", revela.



Os mais de 4.440 casamentos no cartel proporcionaram histórias incríveis das pessoas que apostam nas cartas para encontrar o grande amor de suas vidas. Dentre tantas, Rosaldo destaca uma realmente muito curiosa. "Uma das passagens mais incríveis foi a de um casal que ficou cinco meses trocando cartas através do programa, marcaram de se conhecer e quando chegaram ao encontro descobriram que eram vizinhos de frente".

Passeando de Fusca


O desenrolo com o MC, DJ e chefão do esquema foi muito agradável, e sua pequena enterprise musical era mesmo aconchegante, mas eu e Abud carecíamos de um pouco de adrenalina correndo nas veias. E nada melhor que dar aquela riscada nos tacos para ficarmos bem mais à vontade. Para tanto, contamos com a colaboração de duas nobres senhoras, que gentilmente nos concederam o prazer de um breve saracoteio.



Foi quando a mão de Margarida repousou suavemente sobre a palma da mão de Abud, ao mesmo tempo em que Marili Lúcia apresentou-se para ser o meu par. Pouco à vontade nos compassos gauchescos, mandamos um magro dois por dois pra não machucar os pés de tão simpáticas companhias. No ligeiro papo sobre amenidades, descobrimos serem as duas descasadas e à procura de um namorico de portão. Agradecidos pela importante introdução ao mundo da dança, nos despedimos e deixamos as duas senhoras novamente livres para voar.

White Dance Machine


Enquanto flanávamos pelo salão, atentamos para uma figura que parecia ser o responsável por distribuir os coletes na pelada, tamanha era a categoria com que se portava. Seu nome: Wenceslau. Não tinha tempo ruim. Mudava a faixa e lá estava ele sempre acompanhado circundando o salão. Wenceslau parecia ter fugido de um parque de diversões com atrações humanas, devido à precisão cirúrgica com que executava seus movimentos de baile, tanto indo como vindo, sempre de forma absolutamente idêntica. Sua despigmentação e o repertório enxuto de breaks nos sugeriu um condinome para ele: o Carrosel Albino.



Aguardamos os três segundos regulamentares que Wenceslau costumava ficar sem par para interpela-lo e rapidamente descobrimos ser ele mais do que um dançarino de presença, mas principalmente uma figura simpaticíssima. Habitué do clube - são cinco anos no currículo - Wenceslau quer casar. "Sempre pinta uma namorada aqui, outra ali, mas eu estou procurando um compromisso sério", declarou. Na sequência, perguntamos qual o seu ritmo preferido, visto que se tratava de um bailarino contumaz. "De 42 a 45 anos", despombalizou ao se referir à faixa etária que procurava, não dando bola pro questionamento. Pois então tivemos que insistir: qual tipo de dança você mais aprecia? "Domino mais o xóte e o vanerão", atacou.

Ralando as partes


Quando não mais que de repente sentimos um forte fluxo de libido no ar. E foi só bater os olhos para sabermos de onde era emitida a potente onda sexual que inundava a pista de prazer. Francisco e Consuelo transpassavam as pernas com energia, encaravam um ao outro com olhos de sedução, se arranhavam felinamente, escancaravam ao mundo que o solavanco ali era somente uma questão de tempo e oportunidade. Formavam de longe o par mais sensual da noite.

Abordados para a execução dos flashs, Consuelo questionou Abud se ele não era protético, não se sabe com qual fundamento. De certo, apenas que a quarta-zaga e zaga-central de Francisco estava um tanto quanto desguarnecidas. Devidamente clicados os dois voltaram aos movimentos peristálticos.



A banda Bela Vista já enchia as caixas com a sonoridade dos pampas quando eu e Abud decidimos mudar de ambiente, desfrutar um pouco de recolhimento no lounge. Sentamos à mesa e passamos a filmar a rapaziada idosa interagindo animadamente entre uma cervejinha e outra. E, registre-se, o público do clube não é composto apenas daqueles que utilizam as portas traseiras do transporte coletivo. Um número razoável de jovens também se fazia presente, mas a terceira idade comanda, especialmente no domingo.

Com o adiantado da hora, e saciados em nossa curiosidade, decidimos nos evadir do local. Os corações devidamente abastecidos de alegria. E, após conhecer o clube, uma velha canção dos Originais do Samba bombando na mente: "se você saiu por aí e não conseguiu arranjar alguém, deixe que alguém saia por aí e consiga arranjar você".

Programa Quadro Casamenteiro - das 22 às 23hs de segunda a sexta na Rádio Colombo do Paraná AM 1020 Khz

Clube dos Solitários - Travessa da Lapa, nº 30 - Centro
Fone do Clube: (41) 3019-6160


segunda-feira, junho 20, 2005

 

O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional




Pela frente, uma empreitada das mais complexas: desvendar o mistério do Racional Superior. Afinal, tá tudo muito legal, bonito, muito hahaha, huhuhu, mas quem é que vai pagar a conta? Todo mundo se apresentou para a degustação do Tim Maia Racional. Agora, na hora de encarar o cerne da questã, averiguar do que se trata a parada, neguinho diz que está indo ao banheiro.

Através de um contato, Rodrigo Abud passou a ter ligações estreitas com a Cultura Racional da capital do Paraná. Conheceu e sedimentou amizade com um de seus representantes mais evoluídos, e iniciou um lento processo de integração a esse novo e desconhecido mundo. E contando com a simpatia e anuência de Seu Renê, o Papa da Cultura em Curitiba e seu novo brou, Abud programou sem demora um rolê com a rapaziada.

Simpatizantes da Cultura Racional promovem semanalmente uma espécie de peregrinação pelos bairros de Curitiba. Escolhem uma localidade e percorrem a pé suas entranhas, distribuindo panfletos, prospectos, desfilando em ritmo de autocelebração. Dependendo da disposição, a Banda Racional puxa a fila, executando os hinos da entidade.

Dia 17, Abril, pela manhã, lá estaríamos nós. Contudo, para evitar gafes, Abud fez algumas recomendações. Roupas pretas, sem chance. E para nos sentirmos mais à vontade, nada melhor do que vestirmos nossas peitas da Cultura, adquiridas por mim há alguns anos a fim de registrarmos indiretamente o nosso apreço a tão encantadora obra composta por Sebastião Rodrigues Maia.

Registrado na agenda, cerca de quinze anos depois, estaria eu novamente despertando cedo num domingo. Desta feita, em nítida vantagem, pois não teria que aguardar o Globo Rural nem o Som Brasil para sentir a presença de vida no planeta Terra. Passado o alvorecer, um compromisso me aguardava. Abud estaria a postos na praça Rui Barbosa, aguardando por minha viatura para seguirmos rumo ao encontro da Cultura Racional.

Atrasado que estava fui obrigado a utilizar o Modus Nigel Mansell de direção ofensiva para chegar a tempo. Avistando o Abud na esquina combinada, buzinei duas vezes, reduzi para 170km/h, aproximei suavemente a rodonave do meio-fio, firmei a mão direita no volante e com a esquerda fui abrindo o vidro do passageiro. Segundos antes de cruzar a fera, reduzi para quarta (130km/h), terceira, com a mão esquerda ajeitei o espelhinho, com a direita aumentei o volume, Abud saltou espetacularmente e alojou-se no banco ao meu lado. Cumprimentos efusivos e, novamente, a parceria se fazia ao vivo e a cores.

Boa Vista, segura as pontas


Durante o caminho, Abud foi me passando um pouco de seus novos conhecimentos a respeito daquela que não é seita, não é religião, não é espiritismo, ciência, doutrina, filosofia, não é extraída de nenhuma mente humana, é um conhecimento vindo do nosso verdadeiro mundo de origem, ditado pelo racional superior. Panfletos, prospectos, um farto material impresso. Por último, um compact disc do 1º Festival da Canção Racional, o qual fomos degustando no cumprimento do longo caminho até o bairro da Boa Vista.

A Rua Fernando de Noronha era a nossa referência para encontrar a turma. Entretanto, devido ao adiantado da hora, eis que todos já haviam se evadido do local, o que nos obrigou a empreender uma diligência em captura dos andarilhos imaculados da Cultura Racional. Bisbilhotamos quadra por quadra até que, lá na frente, uma figura, plantada na esquina, se destacava no cenário. Não por acaso. Trajando um Racional Esporte Fino, um senhor de tez black explodia em contraste e nos dava a certeza de ter encontrado o rebanho do Grão Mestre Varonil. Alertado por Abud para o cumprimento de praxe, um "salve" com a mão estendida, saudamos respeitosamente nosso parceiro de jornada. E descendo a ladeira, lá estavam os demais, numa base de umas 50 pessoas vestidas de branco dos pés à cabeça, um congraçamento ordeiro prestes a singrar todas as vielas do bairro.

Fomos nos aproximando na humildade, e já disparamos mais alguns "salves" pelo caminho ao cruzar com nossos irmãos puros, lindos e perfeitos. Avistando um de nossos contatos, balizamos nas intermediações e nos apresentamos. Sem demora, fomos levados ao encontro de Seu Renê. Foi quando se deu o momento maior, um ato de força simbólica incalculável. Eis que Seu Renê - aquele que tudo sabe, que tudo vê - ainda não havia cruzado com as enciclopédias sonoras de Sebastião Rodrigues Maia sobre a Cultura Racional. He never heard that before. E quem as apresentou para ele? Abud, por óbvio. Momento que não poderia ficar sem o devido registro pictórico.



O Papa, do alto de sua vida modesta e fecunda, nos agradeceu calorosamente, prometendo degustar o disquinho com carinho e afeto. E confessou ser fã da possante voz do negrão, e muito sabido do envolvimento do ex-síndico com os ditames do Racional Superior. Segundo Renê, Tim Maia passou de todos os limites, numa falta de desorganização terrível. "O Tim Maia caiu no fanatismo e se perdeu", apontou. O que condiz com as informações daqueles que conseguiram fuçar nessa controversa passagem da vida do Tim. De acordo com a célebre reportagem da revista Trip (número 94, de outubro de 2001), desiludido com a Cultura, ele saiu atirando para todos os lados. E corria à boca pequena que o atirando foi levado mesmo às últimas conseqüências. Um boato dizia que o cantor teria sentado o pipôco em Manoel Jacintho, o fundador da Cultura Racional. O que foi prontamente desmentindo por Seu Renê. "Não houve nada disso, o que ocorreu foi um problema com outra pessoa", disse, sem dar maiores detalhes sobre a origem do dedo nervoso. Somente que, apesar do tiro ter sido disparado à queima roupa, Manoel Jacintho - o Bruce Leroy brasileiro - escapou ileso da tentativa de homicídio.



Saciada a primeira polêmica, rumamos em marcha lenta para dentro do Boa Vista. Um dia agradável se descortinava, com os raios solares começando a romper as nuvens. À nossa frente, a Banda Racional Universo em Desencanto, entoando seus hinos para chamar a atenção dos moradores. Tudo numa relax, numa tranqüila, numa boa. Aos passantes e curiosos que deixavam o seio do lar para conferir a curiosa manifestação, distribuição de prospectos explicativos. No transcorrer de toda a extensa caminhada, Seu Renê esteve ao meu lado e de Abud, nos brindando com sua verve certeira. Pedimos a ele um desenrole do que é, de uma vez por todas, a Cultura Racional, tarefa que ele cumpriu com grande entusiasmo durante o jogging.

Passando a tropa em revista, notamos aquele tradicional caráter multi-facetado comum a todo tipo de organização ou desorganização brasileira. Gente de toda estirpe conectada ao mundo racional. A juventude carecia de maior representatividade, mas se fazia presente. Senhores, senhoras, meninos e meninas compunham o grosso do batalhão.

Resenha com Renê


Por mais de uma hora, o Papa esclareceu nossas mais ingênuas questões, iniciando por um tema que certamente aflige toda a humanidade: é possível consumir drogas, se exceder no álcool e transar livremente fazendo parte da Cultura Racional?

Sim, é possível. Afinal, a partir da leitura e compreensão dos livros, o sujeito desenvolve espetacularmente o raciocínio e, naturalmente, estará apto a fazer o que quiser de sua vida. Seje perder o tampão da cabeça, seje enxugar geral, seje partir para o solavanco sem limites se assim achar bacana. Não perca tempo.



E para se ter uma idéia da pujança do conhecimento de Renê sobre a Cultura Racional, o mesmo diz já ter lido a obra completa seis vezes. Detalhe: são nada mais, nada menos, que 1006 livros. A saber: 21 livros que constituem a obra, mais 21 como réplica, outros 21 como tréplica e 943 dos chamados "livros históricos", que não constituem verdadeiramente livros, mas algo como pequenos fascículos extemporâneos. Mas que disposição! Não deve sobrar tempo para ler mais nada, nem caixinha de pasta de dente no banheiro. Mas voltemos aos caravaneiros.

Todos desciam e subiam as ladeiras com vigor admirável, enquanto na rabeira, eu, Abud e Renê seguíamos absolutamente entretidos na resenha. O Papa costurava com propriedade sobre todos os assuntos, mostrando desenvoltura até nos temas mais polêmicos, como a questão do cascalho. Não seria uma maneira de lucrar a formação e venda da maior bibliografia do planeta? O Papa diz que não, e explica. "Nós não temos qualquer lucro na Cultura Racional. Os livros são impressos em nossa própria gráfica, e contamos com a disposição dos estudantes para o resto da produção. Pelo contrário, os estudantes se habilitam a gastar do próprio bolso na confecção de material de divulgação. O dinheiro que entra é gasto na manutenção da gráfica e do retiro, além de outras atividades". A Cultura Racional possui um retiro no Rio de Janeiro, onde todo o ano acontece um encontro reunindo os adeptos do Brasil inteiro numa confraternização em meio aos estudos do livro.



Tali e coisa, coisa e tali, até que a maior polêmica da tarde se adonou do local. Segundo Renê, a leitura, ou melhor, o estudo dos livros equivale ao conhecimento de 184 faculdades. Mais ou menos. Mesmo assim, é coisa. E daí então, viria toda a malemolência do discurso do homem. "Eu nunca fiz Medicina, Direito etc, mas posso conversar com qualquer profissional desses segmentos de igual por igual", destrincha Renê. Nós, que cursamos apenas uma singela graduação, ou seja, estaríamos 183 voltas atrás, apenas franzimos a testa dada a potencialidade atômica da afirmação. Mas segue o baile.

De acordo com as proposições da entidade, neste mundo é preciso estudar muito para desenvolver o pensamento e a imaginação e assim alcançar a magistratura da civilização. Já na Cultura Racional, o estudo também é fundamental, mas por se tratar de uma obra ditada por um ser de outro mundo, o Racional Superior, o caminho é mais curto para o desenvolvimento. E Renê vai mais além, alçando a bola na área. "O que é fé? Fé é fedor", largou o palestrante, entrando de sola para valorizar o desenvolvimento do raciocínio em detrimento da salvação espiritual prometida pelas religiões. No mínimo, polêmico. Mas não cabe a nós aqui julgar quem está com a razão. Se Sebastião Maia, aquele que entrou de cabeça na Cultura Racional e largou em seguida alegando ter sido iludido, ou se Seu Renê, aquele que sabe os atalhos para a imunização racional.



Aliás, já com a peregrinação dos caravaneiros rumando para os descontos da arbitragem, eu e Abud resolvemos puxar o carro. A panfletagem já tinha comido solta, apesar de alguns passantes não sentirem sustança no conteúdo propagandeado. Contudo, antes do "salve" derradeiro, fizemos um humilde pedido àquele que nos recebeu com tanta galhardia. Queríamos de Renê uma breve análise sobre os dois discos de Tim Maia sobre a Cultura Racional. Pela primeira vez, teríamos a opinião de alguém de fora das rodinhas que fizeram da ressurreição dos polêmicos elepês combustível para o total despombalizamento. Prontamente, Seu Renê aceitou.

Com o período de visitação cumprido, e tendo inserido o cântico racional soul/funk entre os membros da Cultura em Curitiba, eu e Abud concluímos que já tínhamos material suficiente para oferecer aos nossos leitores, curiosos pelos conflitos que nos acometem quando insurgimos em ambientes estranhos ao nosso dia-a-dia. Mas tinha mais, como vocês poderão ler após um intervalo para...

A avaliação do Papa




Como de costume, alguns dias depois adentrou ao lar de Rodrigo Abud uma cartinha batucada pelo Papa por baixo da porta. Com computador, internet e tudo mais, Seu Renê ainda é um entusiasta das máquinas de escrever, e devoto do eficiente sistema de correio brasileiro. Confira:

"Infelizmente não tem o que falar, pois é como você tem ouvido. É somente propaganda. Ele foi com muita sede ao pote, teve muita euforia, ficou entusiasmado.demais. Isto é natural para quem está no fundo do poço, não acreditando em mais nada e aparece algo que de repente acorda a pessoa para uma nova vida.
O estilo da música é o natural dele, referente ao som está ótimo, pois é a qualidade, ritmo, também é a maneira dele, a ginga negra, por sinal muito gostosa, enfim, não é um cd com músicas normais.
Vou providenciar um cd, que um amigo meu gravou e te mandarei para você ouvir propagandas normais com ritmo e compasso bem normal, de quem faz a propaganda natural, sem euforia, aguarde, assim que eu puder te enviarei, e daí você vai fazer uma comparação de um para o outro".


Embora tenha desaprovado a afobação, Seu Renê confessou sua predileção pelo drible moleque das composições do saudoso Maia.

O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional (parte II)




E não é que dia 3 de junho é o dia da Cultura Racional em Curitiba? Sim, confere, no calendário e tudo mais. Obviamente, teríamos que fazer com que essa data festiva passasse em branco, com o nosso comparecimento ao encontro. Estava marcada para a praça Rui Barbosa uma grande celebração contando com membros de todo o país, e isso não é chance que se desperdice.

Entretanto, com problemas na firma, desta vez Abud faria apenas uma aparição relâmpago no evento. Não havia de ser nada, afinal, seria apenas uma expedição para confirmar o modus operandi dos caravaneiros. E assim se fez.

Baixamos na Rui Barbosa, local de concentração, no horário determinado pela organização: 10hs. Aos poucos a praça foi se esbranquiçando, com a chegada de adeptos da Cultura Racional por todos os lados. Os ônibus trazendo a turma de outras plagas demoravam a estacionar na área, atrasando o início do desfile. Com a concordância de Beto Richa, os caravaneiros partiriam descendo a André de Barros, para fazer o contorno e subir no início da Marechal Deodoro até o final do centro nervoso de Curitiba. Em seguida, seria a vez de divulgar a Cultura Racional pela região metropolitana.



Mesmo sem contar com alguns grupos organizados de outras localidades, a concentração Racional foi tomando porte e dominando a praça. A banda se avolumava de tal ordem que seria capaz de promover um massacre sonoro no relativamente tranqüilo centro de Curitiba sábado pela manhã. E se o objetivo era ser notado, já estava fazendo efeito, atraindo os olhares curiosos dos transeuntes.

Naturalmente, fomos ter com Seu Renê, nosso porto seguro na manifestação. Queria que ele me esclarecesse alguns temas que eu ainda não havia compreendido, tais como a relação da Cultura Racional com discos voadores, e a questão das tantas faculdades que o livro equivale. Em meio à chegada de diversos colegas a todo o momento, embora tenha me ofertado a simpatia costumeira, Renê não conseguiu destrinchar bem esses pontos polêmicos. Não faz mal.



Para a nossa surpresa, fizemos uma nova brodagem na CR. Oriundo de Maringá, e com o visual deveras arrojado, nosso camarada, que lamentavelmente esquecemos o nome, marcou sua presença com uma revelação incrível. Teria em sua posse uma fita de vídeo em que registrou uma aparição do Racional Superior, em forma de espectro de luz galgando uma montanha. É, amigo, quem é que sobe! O mesmo garantiu ainda que era comumente agraciado com tais visões, tudo em decorrência do adiantado estágio de estudo dos livros em que se encontrava. Obviamente, não duvidamos de nada, e passamos a empreender animado debate com a notável presença de fala mansa e amistosa.



Sobrou tempo ainda para que Abud descobrisse através de Seu Renê uma segunda presença abudiana na confraternização, o que lhe valeu um rápido escrutínio de sua árvore genealógica. Porém, temendo seu futuro no emprego, meu inseparável colega carpiu o trecho, deixando sob minha responsabilidade a avaliação da debandada dos caravaneiros.



Em questão de minutos, sob a batuta do maestro, a banda puxou o desfile pelo centro, ocupando uma preciosa faixa de terreno da rua André de Barros. Com admirável organização, respeitando os carros e os pedestres, os caravaneiros passaram a distribuir seus indefectíveis panfletos, lembrando ao mundo que a cultura do cosmo, do mundo racional, já se faz presente na Terra. Quer queira, quer não queira.



A Cultura Racional por ela mesma


Para que você tira suas próprias conclusões, apresentamos alguns prospectos da CR. Na minha opinião, os desenhos mais psicodélicos que eu já vi.



Transcrito do panfleto, um pouco de informação sobre o Universo em Desencanto:

O que é a Cultura Racional?

É o conhecimento da origem do ser humano. De onde ele veio, como veio, por que veio e o retorno à sua origem, mostrando como o homem voltará ao seu estado natural de ser Racional puro, limpo e perfeito. Tudo isto através das mensagens do RACIONAL SUPERIOR, um Ser Extraterreno, publicadas nos Livros ?UNIVERSO EM DESENCANTO?.

Além do retorno à sua origem, quais seriam os objetivos da Cultura Racional?

É ligar o ser humano ao seu Mundo de Origem, o MUNDO RACIONAL, pelo desenvolvimento Racional, que é obtido no ler e reler os livros ?UNIVERSO EM DESENCANTO?. A leitura do Livro traz o perfeito equilíbrio na vida da matéria: físico, moral e financeiro, que culmina com a Vidência Racional, quando então, o leitor terá contacto com os habitantes do MUNDO RACIONAL, mundo de que somos originários e para qual já estamos de volta.

Como qualquer pessoa poderá comprovar a realidade dos objetivos da Cultura Racional?

Muito simples: por se tratar de um processo de desenvolvimento, não será apenas na leitura do primeiro volume do Livro que a pessoa poderá ter estas comprovações, embora elas tenham ocorrido com diversas pessoas. São elas, o aparecimento de luzes de diversos matizes, tamanho e forma; contacto direto com seres extraterrenos, dialogando e sendo orientado em qualquer lugar. E o mais importante que é adquirir paz interior.



É como começamos a aprender o que é a felicidade verdadeira. Chegou ao mundo o que há muito estava anunciado pelos profetas, sábios, astrólogos e pela ciência.
Um conhecimento transcendental que ultrapassa todas as expectativas do saber humano e que desvenda os mistérios da natureza e do animal Racional de forma lógica, simples e clara. Não é um conhecimento extraído do saber deste mundo e sim, a verdade das verdades, dadas pelo RACIONAL SUPERIOR.

A CULTURA RACIONAL conduzirá a humanidade à RACIONALIZAÇÃO UNIVERSAL. E assim, com a leitura assídua deste conhecimento, todos sem o menor esforço, muito naturalmente, sem a necessidade de freqüentar lugar nenhum, serão orientados em tudo, recebendo as orientações precisas para o seu perfeito equilíbrio moral, físico e financeiro, dentro de seus próprios lares ou onde estiverem. Portanto, não há necessidade de templo, sinagoga ou casa de pregações nem obrigações, pois é apenas a leitura desta grandiosa obra UNIVERSO EM DESENCANTO, que dá aquela proteção que ninguém até hoje conhecia.

Na Cultura Racional não há milagres.

Todas as doenças existentes no mundo são provocadas pela alteração do campo biomagnético. O mundo é um conjunto de eletromagnetismo e conseqüentemente nós também somos formados por eletromagnetismo. A alteração deste campo de energia é que provoca em nós todas as doenças, como o câncer, o enfarte, a osteomielite, e todo e qualquer tipo de moléstia. O excesso de magnetismo mata, o excesso de eletricidade mata do mesmo jeito. E nós estamos sujeitos aos efeitos destes dois fluidos monstros: o elétrico e o magnético.



Na CULTURA RACIONAL não há milagres, tudo acontece naturalmente, as soluções são conseqüências do perfeito equilíbrio que a pessoa adquire através da leitura das mensagens do RACIONAL SUPERIOR. Á proporção que a pessoa vai lendo, ela passa a ficar ligada ao seu Mundo de Origem, o MUNDO RACIONAL, de onde receberá todas as orientações precisas ao seu bom viver. Com o desenvolvimento adquirido através da leitura, a pessoa começa a se desligar deste conjunto eletromagnético, que é o mundo em que vivemos, para ficar ligado ao seu verdadeiro natural, o mundo da sua verdadeira origem, o MUNDO RACIONAL. Substituindo o seu eletromagnetismo pela ENERGIA RACIONAL, atingindo a condição de IMUNIZADO RACIONALMENTE e ao morrer não nascerá mais aqui neste mundo e sim, no seu verdadeiro mundo, o MUNDO RACIONAL.