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segunda-feira, junho 27, 2005

 

Achados na Noite


Em seu estupendo álbum "Perdido na Noite", Agnaldo Timóteo embalou num bolero uma bela lição...

"Somos amantes do amor liberdade. Somos amados por isso também. E se buscamos uma cara metade. Como metade nos buscam também. Estou perdido. Estamos perdidos. Mas a esperança ainda é real. Pois quando menos se espera aparece uma promessa de amor ideal"

Eram jogados 1976 e Timas ainda não encontrara o basta definitivo para seu coração em frangalhos. Estava perdido na noite de muitos, sempre à procura da mesma ilusão. Aparentemente, havia deixado de lado as idéias caóticas de um ano antes em "Galeria do Amor", quando o polêmico negrão confessou ter flertado com emoções diferentes ao freqüentar o célebre corredor da viadagem carioca. Mas seguia desgraçado da cabeça, se largando forte na náite.

E se quase 20 anos depois, Timóteo ainda brutalizasse em canções as chagas de seu coração vazio, agora num fim de feira total, humildemente eu lhe dirigiria uma palavra amiga:

"Bróder, deixa com o béque..."

Sem demora, partiríamos em alta velocidade para a Travessa da Lapa, quase esquina com a Sete de Setembro, onde reside o Clube dos Solitários. Local este que recebeu a última expedição da minha pessoa e da pessoa de Rodrigo Abud enquanto produtores desse site. Nos fizemos presentes nessa tal fortaleza do amor, espaço para enfim organizar as tampas em suas respectivas panelas. Curiosos pela notável fila de velhinhos que se aglomeram diariamente defronte às dependências do clube, fomos lá ver qual é da parada.



Os contactos com o proprietário da brincadeira estavam todos agilizados por Abud, que não se limitou a acertar a pauta, foi muito além, e com apenas cinco minutos de conversa telefônica já possuía fortes laços de amizade com o mesmo. Seu nome: Rosaldo Pereira, um entusiasta do amor.

Derrubou é pênalti


Aportei antes em nosso destino. O frio castigava a capital paranaense, e dada a meia dúzia de cinco ou seis que enfrentavam o sereno na porta do estabelecimento, nada parecia indicar um embalo de sábado à noite. Mas nós sabemos que os velhinhos são ordeiros, organizados, pontuais e incansáveis. Portanto, quando adentrei ao gramado em nada me estupefaceei ao constatar que, naturalmente, lá estavam todos a bailar. Minutos depois, Abud estava ao meu lado e a configuração de dupla foi acionada.



Não era assim um público de Fla-Flu, mas até que a terceira idade se adonava bonito do local. O clube é composto por dois ambientes distintos. Vencida a entrada, um grande salão recheado com mesas cobertas por toalhas brancas. E conjugado, um espaço para a dança com o palco e o bar. Destacado no cenário, um pequeno bunker à direita do palco, que de longa distância parecia ser a casinha do DJ. Descobrimos ser o paradeiro de ninguém menos que Rosaldo Pereira, que mostrava não ser somente o responsável pela burocracia do acontecimento, mas também por toda a programação musical.

Profissão Cupido


Durante 10 anos, Rosaldo trabalhou na Rede Globo de Televisão, marcou presença na OM, CNT etc. Milita no rádio há mais de 30 anos, atuando em atrações musicais e jornalísticas. Atualmente, comanda o programa "Em nome do Amor" na rádio Colombo, mega sucesso no ramo casamenteiro, com simplesmente 3.800 enlaces oficiais registrados desde janeiro de 1982, data em que foi ao ar pela primeira vez. Tanto sucesso fez a audiência sentir a necessidade da realização de uma celebração, e daí nasceu a idéia de reunir os ouvintes num baile. No dia sete de setembro de 1990 o Clube dos Solitários abriu as portas. E passados quase 16 anos já atingiu a marca de 640 casamentos oficiais.



"Todo mundo pedia uma festa, um baile, e o clube supriu essa vontade de ter um ponto de encontro dos ouvintes do programa", relembra Rosaldo. O evento foi crescendo e na medida da participação das pessoas carecendo de locais mais amplos para a sua organização. Sendo assim, mudou de endereço diversas vezes, mas na Travessa da Lapa já são seis anos ininterruptos.

Como apresentador do programa e organizador do baile, Rosaldo não poderia se furtar aos convites para ser padrinho dos casamentos arrumados graças ao programa e o baile, e por muito tempo morreu numa grana nervosa pra agradar a turma. "Gastava muito dinheiro sendo padrinho de tanto casal, aí passei a recusar gentilmente os convites", explica o Santo Antônio das Araucárias.

Paradoxalmente, o pai da matéria nunca foi um coração solitário. Rosaldo é casado há 25 anos, e conta com a ajuda da esposa que trabalha no bar. A casa abre de quarta a domingo, e o ingresso vai de dois a cinco cru-crus dependendo do horário. Sábado é dia de som ao vivo, sempre com uma banda diferente. E quando o som mecânico é que comanda, Rosaldo ferve a pista com country, pagode, forró, xóte, boleros, vanerão e derivados.

Com picos que chegam a 940 pessoas, dá pra descolar um numerário gostoso com o evento, mas não é possível tocar a vida só dando uma de cupido. "Não posso negar que tenho um retorno financeiro, mas não é o suficiente. Temos uma série de gastos, como com segurança, por exemplo", revela.



Os mais de 4.440 casamentos no cartel proporcionaram histórias incríveis das pessoas que apostam nas cartas para encontrar o grande amor de suas vidas. Dentre tantas, Rosaldo destaca uma realmente muito curiosa. "Uma das passagens mais incríveis foi a de um casal que ficou cinco meses trocando cartas através do programa, marcaram de se conhecer e quando chegaram ao encontro descobriram que eram vizinhos de frente".

Passeando de Fusca


O desenrolo com o MC, DJ e chefão do esquema foi muito agradável, e sua pequena enterprise musical era mesmo aconchegante, mas eu e Abud carecíamos de um pouco de adrenalina correndo nas veias. E nada melhor que dar aquela riscada nos tacos para ficarmos bem mais à vontade. Para tanto, contamos com a colaboração de duas nobres senhoras, que gentilmente nos concederam o prazer de um breve saracoteio.



Foi quando a mão de Margarida repousou suavemente sobre a palma da mão de Abud, ao mesmo tempo em que Marili Lúcia apresentou-se para ser o meu par. Pouco à vontade nos compassos gauchescos, mandamos um magro dois por dois pra não machucar os pés de tão simpáticas companhias. No ligeiro papo sobre amenidades, descobrimos serem as duas descasadas e à procura de um namorico de portão. Agradecidos pela importante introdução ao mundo da dança, nos despedimos e deixamos as duas senhoras novamente livres para voar.

White Dance Machine


Enquanto flanávamos pelo salão, atentamos para uma figura que parecia ser o responsável por distribuir os coletes na pelada, tamanha era a categoria com que se portava. Seu nome: Wenceslau. Não tinha tempo ruim. Mudava a faixa e lá estava ele sempre acompanhado circundando o salão. Wenceslau parecia ter fugido de um parque de diversões com atrações humanas, devido à precisão cirúrgica com que executava seus movimentos de baile, tanto indo como vindo, sempre de forma absolutamente idêntica. Sua despigmentação e o repertório enxuto de breaks nos sugeriu um condinome para ele: o Carrosel Albino.



Aguardamos os três segundos regulamentares que Wenceslau costumava ficar sem par para interpela-lo e rapidamente descobrimos ser ele mais do que um dançarino de presença, mas principalmente uma figura simpaticíssima. Habitué do clube - são cinco anos no currículo - Wenceslau quer casar. "Sempre pinta uma namorada aqui, outra ali, mas eu estou procurando um compromisso sério", declarou. Na sequência, perguntamos qual o seu ritmo preferido, visto que se tratava de um bailarino contumaz. "De 42 a 45 anos", despombalizou ao se referir à faixa etária que procurava, não dando bola pro questionamento. Pois então tivemos que insistir: qual tipo de dança você mais aprecia? "Domino mais o xóte e o vanerão", atacou.

Ralando as partes


Quando não mais que de repente sentimos um forte fluxo de libido no ar. E foi só bater os olhos para sabermos de onde era emitida a potente onda sexual que inundava a pista de prazer. Francisco e Consuelo transpassavam as pernas com energia, encaravam um ao outro com olhos de sedução, se arranhavam felinamente, escancaravam ao mundo que o solavanco ali era somente uma questão de tempo e oportunidade. Formavam de longe o par mais sensual da noite.

Abordados para a execução dos flashs, Consuelo questionou Abud se ele não era protético, não se sabe com qual fundamento. De certo, apenas que a quarta-zaga e zaga-central de Francisco estava um tanto quanto desguarnecidas. Devidamente clicados os dois voltaram aos movimentos peristálticos.



A banda Bela Vista já enchia as caixas com a sonoridade dos pampas quando eu e Abud decidimos mudar de ambiente, desfrutar um pouco de recolhimento no lounge. Sentamos à mesa e passamos a filmar a rapaziada idosa interagindo animadamente entre uma cervejinha e outra. E, registre-se, o público do clube não é composto apenas daqueles que utilizam as portas traseiras do transporte coletivo. Um número razoável de jovens também se fazia presente, mas a terceira idade comanda, especialmente no domingo.

Com o adiantado da hora, e saciados em nossa curiosidade, decidimos nos evadir do local. Os corações devidamente abastecidos de alegria. E, após conhecer o clube, uma velha canção dos Originais do Samba bombando na mente: "se você saiu por aí e não conseguiu arranjar alguém, deixe que alguém saia por aí e consiga arranjar você".

Programa Quadro Casamenteiro - das 22 às 23hs de segunda a sexta na Rádio Colombo do Paraná AM 1020 Khz

Clube dos Solitários - Travessa da Lapa, nº 30 - Centro
Fone do Clube: (41) 3019-6160


segunda-feira, junho 20, 2005

 

O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional




Pela frente, uma empreitada das mais complexas: desvendar o mistério do Racional Superior. Afinal, tá tudo muito legal, bonito, muito hahaha, huhuhu, mas quem é que vai pagar a conta? Todo mundo se apresentou para a degustação do Tim Maia Racional. Agora, na hora de encarar o cerne da questã, averiguar do que se trata a parada, neguinho diz que está indo ao banheiro.

Através de um contato, Rodrigo Abud passou a ter ligações estreitas com a Cultura Racional da capital do Paraná. Conheceu e sedimentou amizade com um de seus representantes mais evoluídos, e iniciou um lento processo de integração a esse novo e desconhecido mundo. E contando com a simpatia e anuência de Seu Renê, o Papa da Cultura em Curitiba e seu novo brou, Abud programou sem demora um rolê com a rapaziada.

Simpatizantes da Cultura Racional promovem semanalmente uma espécie de peregrinação pelos bairros de Curitiba. Escolhem uma localidade e percorrem a pé suas entranhas, distribuindo panfletos, prospectos, desfilando em ritmo de autocelebração. Dependendo da disposição, a Banda Racional puxa a fila, executando os hinos da entidade.

Dia 17, Abril, pela manhã, lá estaríamos nós. Contudo, para evitar gafes, Abud fez algumas recomendações. Roupas pretas, sem chance. E para nos sentirmos mais à vontade, nada melhor do que vestirmos nossas peitas da Cultura, adquiridas por mim há alguns anos a fim de registrarmos indiretamente o nosso apreço a tão encantadora obra composta por Sebastião Rodrigues Maia.

Registrado na agenda, cerca de quinze anos depois, estaria eu novamente despertando cedo num domingo. Desta feita, em nítida vantagem, pois não teria que aguardar o Globo Rural nem o Som Brasil para sentir a presença de vida no planeta Terra. Passado o alvorecer, um compromisso me aguardava. Abud estaria a postos na praça Rui Barbosa, aguardando por minha viatura para seguirmos rumo ao encontro da Cultura Racional.

Atrasado que estava fui obrigado a utilizar o Modus Nigel Mansell de direção ofensiva para chegar a tempo. Avistando o Abud na esquina combinada, buzinei duas vezes, reduzi para 170km/h, aproximei suavemente a rodonave do meio-fio, firmei a mão direita no volante e com a esquerda fui abrindo o vidro do passageiro. Segundos antes de cruzar a fera, reduzi para quarta (130km/h), terceira, com a mão esquerda ajeitei o espelhinho, com a direita aumentei o volume, Abud saltou espetacularmente e alojou-se no banco ao meu lado. Cumprimentos efusivos e, novamente, a parceria se fazia ao vivo e a cores.

Boa Vista, segura as pontas


Durante o caminho, Abud foi me passando um pouco de seus novos conhecimentos a respeito daquela que não é seita, não é religião, não é espiritismo, ciência, doutrina, filosofia, não é extraída de nenhuma mente humana, é um conhecimento vindo do nosso verdadeiro mundo de origem, ditado pelo racional superior. Panfletos, prospectos, um farto material impresso. Por último, um compact disc do 1º Festival da Canção Racional, o qual fomos degustando no cumprimento do longo caminho até o bairro da Boa Vista.

A Rua Fernando de Noronha era a nossa referência para encontrar a turma. Entretanto, devido ao adiantado da hora, eis que todos já haviam se evadido do local, o que nos obrigou a empreender uma diligência em captura dos andarilhos imaculados da Cultura Racional. Bisbilhotamos quadra por quadra até que, lá na frente, uma figura, plantada na esquina, se destacava no cenário. Não por acaso. Trajando um Racional Esporte Fino, um senhor de tez black explodia em contraste e nos dava a certeza de ter encontrado o rebanho do Grão Mestre Varonil. Alertado por Abud para o cumprimento de praxe, um "salve" com a mão estendida, saudamos respeitosamente nosso parceiro de jornada. E descendo a ladeira, lá estavam os demais, numa base de umas 50 pessoas vestidas de branco dos pés à cabeça, um congraçamento ordeiro prestes a singrar todas as vielas do bairro.

Fomos nos aproximando na humildade, e já disparamos mais alguns "salves" pelo caminho ao cruzar com nossos irmãos puros, lindos e perfeitos. Avistando um de nossos contatos, balizamos nas intermediações e nos apresentamos. Sem demora, fomos levados ao encontro de Seu Renê. Foi quando se deu o momento maior, um ato de força simbólica incalculável. Eis que Seu Renê - aquele que tudo sabe, que tudo vê - ainda não havia cruzado com as enciclopédias sonoras de Sebastião Rodrigues Maia sobre a Cultura Racional. He never heard that before. E quem as apresentou para ele? Abud, por óbvio. Momento que não poderia ficar sem o devido registro pictórico.



O Papa, do alto de sua vida modesta e fecunda, nos agradeceu calorosamente, prometendo degustar o disquinho com carinho e afeto. E confessou ser fã da possante voz do negrão, e muito sabido do envolvimento do ex-síndico com os ditames do Racional Superior. Segundo Renê, Tim Maia passou de todos os limites, numa falta de desorganização terrível. "O Tim Maia caiu no fanatismo e se perdeu", apontou. O que condiz com as informações daqueles que conseguiram fuçar nessa controversa passagem da vida do Tim. De acordo com a célebre reportagem da revista Trip (número 94, de outubro de 2001), desiludido com a Cultura, ele saiu atirando para todos os lados. E corria à boca pequena que o atirando foi levado mesmo às últimas conseqüências. Um boato dizia que o cantor teria sentado o pipôco em Manoel Jacintho, o fundador da Cultura Racional. O que foi prontamente desmentindo por Seu Renê. "Não houve nada disso, o que ocorreu foi um problema com outra pessoa", disse, sem dar maiores detalhes sobre a origem do dedo nervoso. Somente que, apesar do tiro ter sido disparado à queima roupa, Manoel Jacintho - o Bruce Leroy brasileiro - escapou ileso da tentativa de homicídio.



Saciada a primeira polêmica, rumamos em marcha lenta para dentro do Boa Vista. Um dia agradável se descortinava, com os raios solares começando a romper as nuvens. À nossa frente, a Banda Racional Universo em Desencanto, entoando seus hinos para chamar a atenção dos moradores. Tudo numa relax, numa tranqüila, numa boa. Aos passantes e curiosos que deixavam o seio do lar para conferir a curiosa manifestação, distribuição de prospectos explicativos. No transcorrer de toda a extensa caminhada, Seu Renê esteve ao meu lado e de Abud, nos brindando com sua verve certeira. Pedimos a ele um desenrole do que é, de uma vez por todas, a Cultura Racional, tarefa que ele cumpriu com grande entusiasmo durante o jogging.

Passando a tropa em revista, notamos aquele tradicional caráter multi-facetado comum a todo tipo de organização ou desorganização brasileira. Gente de toda estirpe conectada ao mundo racional. A juventude carecia de maior representatividade, mas se fazia presente. Senhores, senhoras, meninos e meninas compunham o grosso do batalhão.

Resenha com Renê


Por mais de uma hora, o Papa esclareceu nossas mais ingênuas questões, iniciando por um tema que certamente aflige toda a humanidade: é possível consumir drogas, se exceder no álcool e transar livremente fazendo parte da Cultura Racional?

Sim, é possível. Afinal, a partir da leitura e compreensão dos livros, o sujeito desenvolve espetacularmente o raciocínio e, naturalmente, estará apto a fazer o que quiser de sua vida. Seje perder o tampão da cabeça, seje enxugar geral, seje partir para o solavanco sem limites se assim achar bacana. Não perca tempo.



E para se ter uma idéia da pujança do conhecimento de Renê sobre a Cultura Racional, o mesmo diz já ter lido a obra completa seis vezes. Detalhe: são nada mais, nada menos, que 1006 livros. A saber: 21 livros que constituem a obra, mais 21 como réplica, outros 21 como tréplica e 943 dos chamados "livros históricos", que não constituem verdadeiramente livros, mas algo como pequenos fascículos extemporâneos. Mas que disposição! Não deve sobrar tempo para ler mais nada, nem caixinha de pasta de dente no banheiro. Mas voltemos aos caravaneiros.

Todos desciam e subiam as ladeiras com vigor admirável, enquanto na rabeira, eu, Abud e Renê seguíamos absolutamente entretidos na resenha. O Papa costurava com propriedade sobre todos os assuntos, mostrando desenvoltura até nos temas mais polêmicos, como a questão do cascalho. Não seria uma maneira de lucrar a formação e venda da maior bibliografia do planeta? O Papa diz que não, e explica. "Nós não temos qualquer lucro na Cultura Racional. Os livros são impressos em nossa própria gráfica, e contamos com a disposição dos estudantes para o resto da produção. Pelo contrário, os estudantes se habilitam a gastar do próprio bolso na confecção de material de divulgação. O dinheiro que entra é gasto na manutenção da gráfica e do retiro, além de outras atividades". A Cultura Racional possui um retiro no Rio de Janeiro, onde todo o ano acontece um encontro reunindo os adeptos do Brasil inteiro numa confraternização em meio aos estudos do livro.



Tali e coisa, coisa e tali, até que a maior polêmica da tarde se adonou do local. Segundo Renê, a leitura, ou melhor, o estudo dos livros equivale ao conhecimento de 184 faculdades. Mais ou menos. Mesmo assim, é coisa. E daí então, viria toda a malemolência do discurso do homem. "Eu nunca fiz Medicina, Direito etc, mas posso conversar com qualquer profissional desses segmentos de igual por igual", destrincha Renê. Nós, que cursamos apenas uma singela graduação, ou seja, estaríamos 183 voltas atrás, apenas franzimos a testa dada a potencialidade atômica da afirmação. Mas segue o baile.

De acordo com as proposições da entidade, neste mundo é preciso estudar muito para desenvolver o pensamento e a imaginação e assim alcançar a magistratura da civilização. Já na Cultura Racional, o estudo também é fundamental, mas por se tratar de uma obra ditada por um ser de outro mundo, o Racional Superior, o caminho é mais curto para o desenvolvimento. E Renê vai mais além, alçando a bola na área. "O que é fé? Fé é fedor", largou o palestrante, entrando de sola para valorizar o desenvolvimento do raciocínio em detrimento da salvação espiritual prometida pelas religiões. No mínimo, polêmico. Mas não cabe a nós aqui julgar quem está com a razão. Se Sebastião Maia, aquele que entrou de cabeça na Cultura Racional e largou em seguida alegando ter sido iludido, ou se Seu Renê, aquele que sabe os atalhos para a imunização racional.



Aliás, já com a peregrinação dos caravaneiros rumando para os descontos da arbitragem, eu e Abud resolvemos puxar o carro. A panfletagem já tinha comido solta, apesar de alguns passantes não sentirem sustança no conteúdo propagandeado. Contudo, antes do "salve" derradeiro, fizemos um humilde pedido àquele que nos recebeu com tanta galhardia. Queríamos de Renê uma breve análise sobre os dois discos de Tim Maia sobre a Cultura Racional. Pela primeira vez, teríamos a opinião de alguém de fora das rodinhas que fizeram da ressurreição dos polêmicos elepês combustível para o total despombalizamento. Prontamente, Seu Renê aceitou.

Com o período de visitação cumprido, e tendo inserido o cântico racional soul/funk entre os membros da Cultura em Curitiba, eu e Abud concluímos que já tínhamos material suficiente para oferecer aos nossos leitores, curiosos pelos conflitos que nos acometem quando insurgimos em ambientes estranhos ao nosso dia-a-dia. Mas tinha mais, como vocês poderão ler após um intervalo para...

A avaliação do Papa




Como de costume, alguns dias depois adentrou ao lar de Rodrigo Abud uma cartinha batucada pelo Papa por baixo da porta. Com computador, internet e tudo mais, Seu Renê ainda é um entusiasta das máquinas de escrever, e devoto do eficiente sistema de correio brasileiro. Confira:

"Infelizmente não tem o que falar, pois é como você tem ouvido. É somente propaganda. Ele foi com muita sede ao pote, teve muita euforia, ficou entusiasmado.demais. Isto é natural para quem está no fundo do poço, não acreditando em mais nada e aparece algo que de repente acorda a pessoa para uma nova vida.
O estilo da música é o natural dele, referente ao som está ótimo, pois é a qualidade, ritmo, também é a maneira dele, a ginga negra, por sinal muito gostosa, enfim, não é um cd com músicas normais.
Vou providenciar um cd, que um amigo meu gravou e te mandarei para você ouvir propagandas normais com ritmo e compasso bem normal, de quem faz a propaganda natural, sem euforia, aguarde, assim que eu puder te enviarei, e daí você vai fazer uma comparação de um para o outro".


Embora tenha desaprovado a afobação, Seu Renê confessou sua predileção pelo drible moleque das composições do saudoso Maia.

O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional (parte II)




E não é que dia 3 de junho é o dia da Cultura Racional em Curitiba? Sim, confere, no calendário e tudo mais. Obviamente, teríamos que fazer com que essa data festiva passasse em branco, com o nosso comparecimento ao encontro. Estava marcada para a praça Rui Barbosa uma grande celebração contando com membros de todo o país, e isso não é chance que se desperdice.

Entretanto, com problemas na firma, desta vez Abud faria apenas uma aparição relâmpago no evento. Não havia de ser nada, afinal, seria apenas uma expedição para confirmar o modus operandi dos caravaneiros. E assim se fez.

Baixamos na Rui Barbosa, local de concentração, no horário determinado pela organização: 10hs. Aos poucos a praça foi se esbranquiçando, com a chegada de adeptos da Cultura Racional por todos os lados. Os ônibus trazendo a turma de outras plagas demoravam a estacionar na área, atrasando o início do desfile. Com a concordância de Beto Richa, os caravaneiros partiriam descendo a André de Barros, para fazer o contorno e subir no início da Marechal Deodoro até o final do centro nervoso de Curitiba. Em seguida, seria a vez de divulgar a Cultura Racional pela região metropolitana.



Mesmo sem contar com alguns grupos organizados de outras localidades, a concentração Racional foi tomando porte e dominando a praça. A banda se avolumava de tal ordem que seria capaz de promover um massacre sonoro no relativamente tranqüilo centro de Curitiba sábado pela manhã. E se o objetivo era ser notado, já estava fazendo efeito, atraindo os olhares curiosos dos transeuntes.

Naturalmente, fomos ter com Seu Renê, nosso porto seguro na manifestação. Queria que ele me esclarecesse alguns temas que eu ainda não havia compreendido, tais como a relação da Cultura Racional com discos voadores, e a questão das tantas faculdades que o livro equivale. Em meio à chegada de diversos colegas a todo o momento, embora tenha me ofertado a simpatia costumeira, Renê não conseguiu destrinchar bem esses pontos polêmicos. Não faz mal.



Para a nossa surpresa, fizemos uma nova brodagem na CR. Oriundo de Maringá, e com o visual deveras arrojado, nosso camarada, que lamentavelmente esquecemos o nome, marcou sua presença com uma revelação incrível. Teria em sua posse uma fita de vídeo em que registrou uma aparição do Racional Superior, em forma de espectro de luz galgando uma montanha. É, amigo, quem é que sobe! O mesmo garantiu ainda que era comumente agraciado com tais visões, tudo em decorrência do adiantado estágio de estudo dos livros em que se encontrava. Obviamente, não duvidamos de nada, e passamos a empreender animado debate com a notável presença de fala mansa e amistosa.



Sobrou tempo ainda para que Abud descobrisse através de Seu Renê uma segunda presença abudiana na confraternização, o que lhe valeu um rápido escrutínio de sua árvore genealógica. Porém, temendo seu futuro no emprego, meu inseparável colega carpiu o trecho, deixando sob minha responsabilidade a avaliação da debandada dos caravaneiros.



Em questão de minutos, sob a batuta do maestro, a banda puxou o desfile pelo centro, ocupando uma preciosa faixa de terreno da rua André de Barros. Com admirável organização, respeitando os carros e os pedestres, os caravaneiros passaram a distribuir seus indefectíveis panfletos, lembrando ao mundo que a cultura do cosmo, do mundo racional, já se faz presente na Terra. Quer queira, quer não queira.



A Cultura Racional por ela mesma


Para que você tira suas próprias conclusões, apresentamos alguns prospectos da CR. Na minha opinião, os desenhos mais psicodélicos que eu já vi.



Transcrito do panfleto, um pouco de informação sobre o Universo em Desencanto:

O que é a Cultura Racional?

É o conhecimento da origem do ser humano. De onde ele veio, como veio, por que veio e o retorno à sua origem, mostrando como o homem voltará ao seu estado natural de ser Racional puro, limpo e perfeito. Tudo isto através das mensagens do RACIONAL SUPERIOR, um Ser Extraterreno, publicadas nos Livros ?UNIVERSO EM DESENCANTO?.

Além do retorno à sua origem, quais seriam os objetivos da Cultura Racional?

É ligar o ser humano ao seu Mundo de Origem, o MUNDO RACIONAL, pelo desenvolvimento Racional, que é obtido no ler e reler os livros ?UNIVERSO EM DESENCANTO?. A leitura do Livro traz o perfeito equilíbrio na vida da matéria: físico, moral e financeiro, que culmina com a Vidência Racional, quando então, o leitor terá contacto com os habitantes do MUNDO RACIONAL, mundo de que somos originários e para qual já estamos de volta.

Como qualquer pessoa poderá comprovar a realidade dos objetivos da Cultura Racional?

Muito simples: por se tratar de um processo de desenvolvimento, não será apenas na leitura do primeiro volume do Livro que a pessoa poderá ter estas comprovações, embora elas tenham ocorrido com diversas pessoas. São elas, o aparecimento de luzes de diversos matizes, tamanho e forma; contacto direto com seres extraterrenos, dialogando e sendo orientado em qualquer lugar. E o mais importante que é adquirir paz interior.



É como começamos a aprender o que é a felicidade verdadeira. Chegou ao mundo o que há muito estava anunciado pelos profetas, sábios, astrólogos e pela ciência.
Um conhecimento transcendental que ultrapassa todas as expectativas do saber humano e que desvenda os mistérios da natureza e do animal Racional de forma lógica, simples e clara. Não é um conhecimento extraído do saber deste mundo e sim, a verdade das verdades, dadas pelo RACIONAL SUPERIOR.

A CULTURA RACIONAL conduzirá a humanidade à RACIONALIZAÇÃO UNIVERSAL. E assim, com a leitura assídua deste conhecimento, todos sem o menor esforço, muito naturalmente, sem a necessidade de freqüentar lugar nenhum, serão orientados em tudo, recebendo as orientações precisas para o seu perfeito equilíbrio moral, físico e financeiro, dentro de seus próprios lares ou onde estiverem. Portanto, não há necessidade de templo, sinagoga ou casa de pregações nem obrigações, pois é apenas a leitura desta grandiosa obra UNIVERSO EM DESENCANTO, que dá aquela proteção que ninguém até hoje conhecia.

Na Cultura Racional não há milagres.

Todas as doenças existentes no mundo são provocadas pela alteração do campo biomagnético. O mundo é um conjunto de eletromagnetismo e conseqüentemente nós também somos formados por eletromagnetismo. A alteração deste campo de energia é que provoca em nós todas as doenças, como o câncer, o enfarte, a osteomielite, e todo e qualquer tipo de moléstia. O excesso de magnetismo mata, o excesso de eletricidade mata do mesmo jeito. E nós estamos sujeitos aos efeitos destes dois fluidos monstros: o elétrico e o magnético.



Na CULTURA RACIONAL não há milagres, tudo acontece naturalmente, as soluções são conseqüências do perfeito equilíbrio que a pessoa adquire através da leitura das mensagens do RACIONAL SUPERIOR. Á proporção que a pessoa vai lendo, ela passa a ficar ligada ao seu Mundo de Origem, o MUNDO RACIONAL, de onde receberá todas as orientações precisas ao seu bom viver. Com o desenvolvimento adquirido através da leitura, a pessoa começa a se desligar deste conjunto eletromagnético, que é o mundo em que vivemos, para ficar ligado ao seu verdadeiro natural, o mundo da sua verdadeira origem, o MUNDO RACIONAL. Substituindo o seu eletromagnetismo pela ENERGIA RACIONAL, atingindo a condição de IMUNIZADO RACIONALMENTE e ao morrer não nascerá mais aqui neste mundo e sim, no seu verdadeiro mundo, o MUNDO RACIONAL.


segunda-feira, junho 13, 2005

 

Uma parada gay




Olha aqui, meu querido. Nós já inspecionamos um lendário cinema pornô, visitamos um clube de troca de casais e bailamos num concurso de modelos no carnaval. Enfim, construímos um background responsa no movimento. No entanto, mesmo do alto desse pujante cartel de putaria, titubeamos por alguns instantes ante a um novo desafio que se descortinava. Afinal, desta vez, para o sucesso da empreitada, a primeira medida seria justamente nos livrarmos do nosso background ou, pelo menos, garantir o máximo de segurança possível a nossa retaguarda. Ao contrário das situações anteriores, não teríamos um porto seguro, uma trincheira sequer, partiríamos somente com a cara e a coragem.

Dia 12 de junho constava na agenda: fazer a cobertura da sétima Parada da Diversidade em Curitiba.

Antes de tudo, solicitamos uma alteração na pauta, apenas para que o posterior registro nos autos não deixasse a menor dúvida sobre o intento de tão polêmica jornada. Pedimos que o termo "cobertura" fosse suprimido, dando lugar a um enunciado mais claro, como segue: relatar despretensiosa e superficialmente o evento, sem qualquer aprofundamento nos fatos, muito menos em outrem. Feito o reparo, partimos para o estudo da reportagem, relacionando os pontos a serem levantados, a linguagem apropriada, rotas de fuga etc. Naturalmente, concluímos que não seria possível levantar nada, muito pelo contrário, e que em termos de linguagem deveríamos nos ater somente ao princípio básico da educação: não, obrigado.

Tranqüilos, calmos e serenos da nossa condição de heterossexuais apostólicos romanos, eu, André Pugliesi, e meu colega, Rodrigo Abud, fomos em busca de uma honrosa e saudável averiguação do evento.

Não te michas




Primeiro teorema: mesmo inserido num ambiente desconhecido e altamente hostil, porte-se como se estivesse em casa. Respeitando suas convicções, claro, haja com a maior naturalidade possível. Foi o que fizemos. Agimos como se tivéssemos sido os primeiros a se prostrarem de cócoras no fim do arco-íris, a fim de agasalhar o tal pote de ouro. Mas não é só isso. Reza a sabedoria popular que o homossexual, no caso a modalidade de viado, apresenta como característica primeira o "olhar desconfiado". Portanto, mais do que a desenvoltura no gestual, caprichamos numa filmagem matreira, aprovando geral, mesmo quando confrontados a imagens fortes, de deixar o Gala Gay nas chinelas.



A propósito, ainda na concentração na praça Santos Andrade, já fomos interagindo com aquela rapaziadada deveras escandalosa. Obviamente, sem nos deixar empolgar pelos ânimos acirrados. Passado o trio elétrico, que puxava o desfile, e diversos carros de som, sabiamente seguimos atrás do comboio. É notório que em eventos dessa natureza a vaga de maquinista é sempre a mais concorrida, o que nos deixou muito confortáveis integrando o último vagão. Sem nos preocuparmos com o retrovisor, fomos seguindo mantendo os pneus dos carros à frente sempre em nosso campo de visão como medida de segurança.

Amigo do dono




Outro aspecto fundamental é estar próximo de quem importa. Agindo dessa maneira, você nunca vai encucar com o sumiço repentino dos garçons, com a péssima visão do local etc. É básico. Para tanto, como numa barreira de futebol, protegemos as partes e de frente para as bolas fomos nos movimentando sorrateiramente, visando nos aproximar do território VIP. Não demorou muito, estávamos, imaculados, ao lado das celebridades do mundo gay.

Cada aproximação era um flash. Num pulo, enquadramos algumas drags, em suas personas multicoloridas, abençoamos o reinado de duas misses e, por fim, posamos respeitosamente ao lado do casal que tornou tudo isso possível: Toni Reis e David "Bigode" Harrad, elegantemente trajados. O primeiro, presidente do grupo Dignidade e organizador da Parada da Diversidade. De bem com o alto escalão, nos sentimos funcionários de zoológico, capazes de mandar prender e soltar a bicharada a qualquer momento.



Mas vamos em frente que não é prudente ficar parado. Entre drags, travestis, bichas, homossexuais a paisana, uma pequena quantidade de lésbicas em flagrante delito, e um bom número de simpatizantes, a Parada da Diversidade tomou a avenida Marechal Deodoro. Nos carros de som, o pancadão nervoso ecoava, sempre costurado por uma ou outra execução do hino gay "I will survive", da muito apropriada Gloria Gaynor. Mas o que saltava mesmo aos ouvidos eram os discursos, sempre inflamados, pregando os direitos iguais, que invariável e naturalmente descambavam para uma gritaria desvairada após ser dado o recado. Dignas de nota também as sempre oportunas exaltações do uso de preservativos, tanto indo como vindo, bem como a sua distribuição gratuita.



Apertamos o passo para cruzar a transviadônica e contemplar o final do desfile na Praça Zacarias, antes de partir para a Boca Maldita. Até que nos vimos imersos numa verdadeira faixa de Gaza. Cercados por todos os lados de travestis e congêneres, por um momento vimos a utilidade de virar purpurina, mas logo conseguimos passar dessa para uma melhor. Ilesos, faço questão de frisar. Aportamos então no fétido chafariz da Praça Zacarias. Sob a mira das lentes dos fotógrafos, que aguardavam o desfecho, decidimos assistir de fianco a apoteose.

Por todos os lados, curiosos se encantavam com a animação, aplaudindo e saudando a baitolagem na sua plenitude. O cidadão comum trafegava sem problemas, brincando com o perigo de, por um infortúnio do destino, acabar estampando a capa da Tribuna no dia seguinte e ser obrigado a explicar o que não se explica, apenas se tira sarro.



Fervo na Boca Maldita


O reduto mais tradicional de Curitiba foi escolhido como cenário para a celebração final da Parada da Diversidade. Um grande palco foi montado na junção com a Praça Osório para receber o grande show da noite: a banda Denorex 80. Madrinha dos gays curitibanos, a banda seria encarregada de promover o gran finale. Antes, porém, as celebridades do babado empunharam orgulhosamente o microfone, exigindo um tratamento respeitoso com os homossexuais pela sociedade e, principalmente, perante as leis brasileiras. Uma a uma, um a um, tanto faz, drags, gays, lésbicas e simpatizantes coloriram o palco, discursando entre urras de "ei, ei, ei, Curitiba é gay". Durante todo o tempo alardeou-se que a manifestação havia reunido 80 mil pessoas, o que qualquer olhar leigo poderia contradizer. Não creio que mais de 10 mil pessoas estiveram presentes, o que não diminuiu a importância do evento.



Um dos destaques na faceta palanque do palco foi o ator Sérgio Mamberti, enviado (?) do Ministério da Cultura, representando o ministro Gilberto Gil. A lamentar a ausência da figura mais esperada da noite, Elke Maravilha, madrinha dos homossexuais e lendária jurada da bancada que marcou época no Show de Calouros. Um problema particular impediu que a figura estrambótica de Elke estivesse presente.



Vieram então os tradicionais shows de dublagens, com as drags saracoteando os panos flanando pelo palco, muito pouco para entreter quem não é entendido. E antes que o Denorex aprumasse o seu por ali, fervendo com nostalgia a audiência, eu e Abud nos evadimos do local. Convictos não só do cumprimento de tão periculosa missão, mas também que cada um guarda as costas como bem entender.